Autor Tópico: Lancia Delta S4  (Lida 3139 vezes)

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Tiffosi

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Lancia Delta S4
« em: 19 de Novembro, 2008, 16:32:55 »
Testes de equipas oficiais em Portugal 1986



Estrada nacional 13, hora de almoço. Vamos em direcção a Vila Nova de Cerveira, onde sabemos estar instalada a equipa Peugeot. De súbito, no parque de um restaurante à entrada de Caminha, depara-se-nos o inesperado : um furgão Fiat em cima do qual está um Lancia Delta S4 com as cores da Martini Racing. Mais ao lado, uma carrinha-oficina e uma pequena camioneta da Pirelli.

Não há duvidas, são eles, os homens da Lancia. Paramos de imediato e, quando entrámos no restaurante, deparámos com duas mesas ocupadas por Giorgio Pianta, Maurizio Perissinot, quatro mecânicos da equipa e três técnicos da Pirelli.

Quanto nos decidimos a abordá-los, entre a sopa fumegante e o prato principal, fomos cordialmente recebidos por Pianta, piloto de testes da Lancia que começou logo por demosntrar o seu desagrado pelo tempo que se fazia sentir :

A seguir ao almoço vamos para o antigo troço de São Lourenço da Montaria. Deixámos o carro preparado para asfalto na pousada, porque com este tempo as estradas estão muito molhadas e não temos condições para proceder aos testes necessários.”

Cá fora, a chuva caía, por vezes em fortes bátegas, para logo depois dar lugar a umas réstias de sol, para novamente chover. Assim sendo, os pisos tão depressa estavam molhados, como começavam a secar para, logo de seguida, voltarem a ficar cheios de água. Localizados que estavam os homes da Lancia, partimos em buscar dos da Peugeot.

Já mais tarde, fomos então para o troço de São Lourenço, onde encontrámos os homens da marca italiana já no final da primeira parte em terra, com o seu “arsenal” instalado ao lado da casa dos Guardas Florestais que aì se encontra abandonada. O carro é preparado e um mecânico leva o furgão que transportou o Delta S4 até cerca de 1,1 km mais à frente, de forma a assegurar o fecho do troço. Início e fim do troço estão permanentemente ligados com o carro de Pianta via rádio.

Giorgio Pianta põe o capacete e ocupa o seu lugar ao volante. Maurizio Perissinot senta-se no posto de navegador. Estão prontos a começarem mais uma sessão de testes. Primeiras passagens num ritmo lento, apenas para aprendizagem do percurso. Depois, já mais rápido, percorre por quatro vezes o troço e pára junto da assistência. Enquanto os mecânicos mexem na suspensão traseira do Delta S4 para a tornarem mais rija, falamos com Pianta que nos explica o que estão a fazer :

Neste troço estamos a proceder a testes de pneus. Este carro já é velhinho, foi dos primeiros a ser construido e é um carro que nós usamos para fazer experiências. O que nós queriamos era testar em asfalto, nestes novos troços da segunda etapa. Mas, com estes aguaceiros, não é possivel, os pisos estão sempre a alterar-se.”

O carro já estava pronto e Pianta voltou a arrancar para mais alguns percursos. Na equipa italiana, o trabalho durou até ao cair da noite, sempre experimentando novos pneus.

(...)



No dia seguinte, quarta-feira, o trabalho começou cedo, pois a saída da pousada estava prevista para as 7.30. Fomos encontrar a equipa Lancia a percorrer calmamente o troço de Arga, procurando um local para testar nos pisos da segunda etapa do Rali de Portugal. Num Ford Escort branco, Pianta e Perissinor na frente, um mecânico atrás, o troço é percorrida na sua totalidade. Pianta pára e, quando nos vê, depois do indispensável “bon giorno”, diz-nos não muito satisfeito :

Não podemos aqui ficar. O piso está muito húmido, não podemos testar assim. Vamos para um troço que há aí à frente (Cabração) a ver se está em melhores condições.”

E lá partiu o “batalhão” Lancia. Na povoação de Covas encontram Bruno Saby que ia a passar ao volante do seu Peugeot 205 Turbo 16 Evo.2. Todos param, Pianta troca algumas impressões com Saby, sabe dos projectos da Peugeot de, nesse dia, testar em terra. Voltam a partir e percorrem o troço de Cabração. Também este não lhes agrada, juntando-se ao piso húmido as dificuldades em manter um troço seguramente fechado. Próxima etapa : partr para a zona de Ponte de Lima, à procura dum troço em condições. Mais tarde, contudo, voltariam ao troço de Arga. Os teste de asfalto iriam ocupar grande parte do dia.

Com a necessidade de seguir os testes da Peugeot e com a viagem até ao Marão para “caçar” a equipa Audi, só voltámos a encontrar os homens da Lancia nessa noite, aquando do regresso à pousada. Pianta não estava nada satisfeito com os resultados dos testes, continuando a “acusar” o estado to tempo.

O programa estava terminado e, no dia seguinte, seria o regresso a casa com alguns elementos da equipa a saírem da pousada pelas cinco da manhã (!) para irem apanhar o avião a Santiago de Compostela. Apenas Maurizio Perissinot ficaria até às onze horas, voando depois para a Bélgica, onde vai participar nas “Boucles de Spa”.

(...)

Jornarl "Motor" de 11 de Fevereiro de 1986

Autor do texto e fotos : Sérgio Veiga

Fonte: Rally Mania

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Lancia Delta S4
« Responder #1 em: 19 de Novembro, 2008, 16:36:42 »
LANCIA



Sabendo das condições atmosféricas que se faziam sentir na serra do Marão, os italianos da Lancia optaram por concentrar os seus testes no Minho, procurando uma parte de um dos novos troços de asfalto do rali e escolhendo o bem conhecido troço de São Lourenço da Montaria para os ensaios em piso de terra.

Com esta concentração, o factor tempo não se tornava tão incomodativo muito embora os homens da Lancia tivessem apenas dois dias disponíveis para os testes. Mas as coisas acabariam por se complicar não só devido aos imponderáveis do clima mas também a uma certa dificuldade em encontrar uma zona suficientemente sinuosa e fácil de fechar o trânsito nos percursos das novas classificativas da segunda etapa do Rali de Portugal

(...)

Para além dos dois Delta S4, cada um deles preparado para o seu terreno – o do Algarve para terra e o do Monte Carlo para asfalto – a caravana da Lancia compunha-se de um fourgon-oficina e de um pequeno camião para o transporte de um dos carros, enquanto que a Pirelli tinha um camião ligeiramente maior para transportar e preparar os seus pneus.

Quanto aos efectivos humanos, Giorgio Piante acumulava as funções de piloto de ensaios (Mauro Perissinot era o seu navegador) com a de dirigente da operação e da equipa da Abarth, que se compunha de quatro mecânicos, entre os quais Roberto Vittone que já se encontrava em Portugal há mais tempo pois acompanhou a prova de estreia do Lancia de Carlos Bica e m técnico especializado em motores a quem competia o controlo da sofisticada aparelhagem para verificar e regular o sistema de alimentação da Weber Marelli. No tocante à Pirelli, era o jovem Fiorenzo Brivio quem comandava as operações tendo a seu cargo dois técnicos que verificavam pressões e temperaturas, montavam e desmontavam os pneus.

Depois de Maurizio Perissinot e Roberto Vittone terem procedido a um reconhecimento da zona durante o dia de segunda-feira – Pianta, os carros e os homens da Pirelli só chegaram a Portugal ao princípio da noite – na manhã do dia seguinte o trabalho começou bem cedo com uma nova passagem pelos troços para que Giorgio Pianta escolhe-se os locais mais apropriados para os testes.



Ao fim do primeiro reconhecimento o antigo navegador de Attilio Bettega mostrou-se bastante espantado e critico quanto ao traçado dos novos troços de asfalto, muito rápidos e em estradas bastante largas, o que aliás tem sido um constante dos pilotos que já treinaram a segunda etapa do Rali de Portugal.

Após nova passagem, Pianta não fez mais que confirmar isso, com a agravante de alguns se disputarem em estradas nacionais (antigas ligações de quando a etapa só tinha troços de terra) o que dificultava o seu fecho para efeitos de testes.

No entanto, não seria esta a contrariedade que levou os homens da Lancia a começar pelos ensaios em piso de terra e não em asfalto como inicialmente se previra. A chuva foi a causadora disso e assim a actividade começou ao fim da manhã de terça-feira numa parte de São Lourenço da Montaria, próxima ao troço de Cabração.

Para além de uma nova mistura de borracha, mais mole (denominada G7 e equivalente à dos slicks mais duros), nos pneus de lama, os testes incidiram sobre as dimensões a utilizar na terra seca.

(...)

Assim Giorgio Pianta experimentou duas soluções diferentes – 175 à frente/185 atrás e 185/195 – ao longo do pequeno percurso de 1.8 km que não tardou a ficar molhado com o aparecimento de chuviscos e depois de chuva fraca.

(...)

Autosport de 12.02.1986

Autor do texto : Mário Guerreiro

Autor das fotos : Sérgio Veiga

Fonte: Rally Mania