O metodo Marchionne
"tenho um medo, que este grupo depois dos bons resultados obtidos comece a ceder.
Individualizei alguns sintomas. Um mal estar dura pouco, mas que pode estar lá.
Mas digo a todos, estejam atentos, a quem "sentar" eu tiro-lhe a cadeira de baixo".
Estas foram as ultimas palavras da entrevista que Sergio Marchionne deu ao La Repubblica.
Decidiu-se começar desta forma porque com estas frases pode-se individualizar a razão do relançamento que a FIAT está a viver nos ultimos três anos.
Uma operação conduzida com poucas e simples palavras chave, como flexibilidade e melhoramento constante do produto.
Quando chegou à FIAT o manager italo-canadiano encontrou uma empresa que vivia num estado de medo, povoada com gestores prontos a acabarem com postos de trabalho aos primeiros sinais de dificuldade financeira e a dar de bandeja a empresa ao primeiro interessado que aparecesse.
Passaram apenas três anos, incrivel, mas se pararmos um momento para pensar, a FIAT hoje tem uma capitalização accionista maior que a Ford ou a GM.
O que mudou em Turim?
"Se tenho um metodo, diz Marchionne, é um método que se inspira numa flexibilidade bestial com apenas uma caracteristica destinada à concorrência, ser desenhado para responder às exigências do mercado.
Se for menos do que esta regra, então é um método que não vale nada.
Aos meus colaboradores recomendo sempre que não sigam uma linha previsivel, porque na rectaguarda da previsibilidade chegam previsivelmente os concorrentes.
Já não podemos voltar a dizer: as coisas vão bem. Mas sim: as coisas não vão mal. Devemos ser paranoicos. Até 2010 é um percurso dificilissimo. Estamos de sobre-aviso e a honra dos previnos é sobreviver."
Não era a primeira vez que o espirito de competição levado ao extremo ao ponto de se perder o sono para se poder atingir os objectivos programados, para recuperar o terreno perdido para a concorrência em anos de gestão acelerada.
Sergio Marchionne expõe as várias etapas fundamentais da sua carreira na FIAT, a partir daquele dia de Junho de 2004 quando chegou e encontrou um gigante gravemente doente, "procurei organizar o caos. Visitei os escritórios, os departamentos, as fábricas. Escolhi um grupo de lideres e procurei com eles redifinir os objectivos para 2007. Na altura não pensava poder chegar ao nivel dos melhores concorrentes, mas ficaria satisfeito com uma classificação a meio da tabela. Ninguém acreditava, pensavam que tinha fumado alguma coisa estranha.
Hoje posso dizer que nunca tive a tentação de renunciar, mas pensei que talvez não devesse ter aceite. Mas era a FIAT, era uma instituição do país em que cresci.
Não podiamos mais entrar em jogos, tinhamos que fazer de modo a que as pessoas voltassem a acreditar em nós e a comprar os nossos veiculos".
Isto porque os FIAT do final dos anos 90 e inicios de 2000 eram automoveis dificeis, de produzir e de vender.
Os tempos de produção foram encurtados para metade, dezoito meses, comparando com os trinta e seis que erma precisos à três anos atrás, com um gasto desvastador de tempo e dinheiro, tudo isto com pouco lucro, para passar a realizar automoveis que pudessem dar prazer, atrairem e serem comprados.
Investimos com uma disciplina quase calvinista, restituimos a dignidade de trabalho às pessoas das fábricas que estavam quase abandonadas. Durante um mês fomos todos os domingos a Mirafiori, era quase como uma casa abandonada e esquecida."
É altura de falar da put com a GM, Marchionne recorda particularmente surpreendido, sobretudo das fases iniciais do acordo, que foram conduzidas como uma guerra de tricheiras, em que ambas as partes se estudavam, eles inquiriam sobre nós e nós sobre eles, sabiamos até o que cada um comia ao almoço e jantar.
Todos nós sabemos como tudo terminou em 13 de Fevereiro, com o assinatura do acordo em New York com cinco dirigentes da FIAT ladeados por um exército de advogados, conselheiros e analistas do grupo americano, quase uma operação de comando infiltrados.
Outras ameaças vieram depois da solução do embroglio GM, primeiro o ataque letal da banca par ficar dona da empresa em virtude de um empréstimo de três milhões, Marchionne propos-lhes adiquirirem um pacote de acções como pagamento do empréstimo, e de um alto valor por acção que se multiplicou por quatro.
Por fim a criação da equipa que hoje está no comando do grupo, formatada para seguir um golpe de testa, como na revolução francesa. Os gestores de hoje estão conscientes para aceitarem a mudança e a continua necessidade de serem competitivos. Hoje a FIAT é conduzida por pessoas sérias que estão ao mesmo nivel que os concorrentes. Saimos da água em que nos estavamos quase a afogar, mas devemos conservar o medo de ter uma recaida.
Devemos temer a água mesmo quando ela não está lá."
E aqui voltamos ao incio, ao atento aviso do gestor que tem preso pelos cabelos uma vecchia signora, salvando-a certamente de um fim inglório.

fonte: Fabio Sciarra