Autor Tópico: Fiat 850  (Lida 5057 vezes)

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Tiffosi

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Fiat 850
« em: 02 de Janeiro, 2008, 17:45:28 »
Fiat 850 - Gémeos Falsos



Três variações do mesmo tema em comparação: 850 Saloon, Coupé e Racer. Três pequenos carros derivados do imortal 600 com diferenças de carácter, mas muitas semelhanças mecânicas, o que os torna gémeos falsos.
Quando em 1936 a Fiat lançou o Topolino deu início à tradição de produzir pequenos carros com motores a condizer. Em 1955 saía da linha de montagem o 600. As suas reduzidas dimensões e o seu parco consumo ditavam lei na Europa, ainda a recuperar da crise que a segunda grande guerra havia criado.

Com o Seiscento estava garantida a motorização de muitos milhares de cidadãos. Com o evoluir do mercado, as necessidades de espaço eram cada vez maiores, insistindo-se sempre num custo final reduzido, bem como nos baixos consumos. Assim, em 1964 era introduzido o 850. Com linhas similares ao antigo 600, o novo carro era maior, tanto por fora como por dentro. Do seu irmão mais velho apenas conservava a disposição dos órgãos mecânicos, enquanto que o motor, embora de dimensões um pouco majoradas, continuava económico.

Com o sucesso garantido no velho continente o Fiat 850 depressa gerou variantes, tal como o 600 havia feito com a Múltipla, e o 500 com a Giardinera. Mas desta feita em vez de ver as suas dimensões aumentadas, foi diminuindo. Assentes na mesma base, e filosofia, chegavam ao mercado os novos 850 Coupé e Spider, este último de design Bertone.

A Berlina



O 850 berlina em questão conta com uns bons milhares de quilómetros, mais de 153 000 para ser exacto, sempre nas mãos da mesma família. E não podemos dizer que a vida deste citadino tenha sido fácil, tendo os seus dois eixos suportado as famosas viagens rumo ao sul, conservando sempre o aspecto que hoje apresenta.
O pequeno veículo, com a sua carroçaria de três volumes, pequenas rodas colocadas nos extremos e faróis redondos figura simpaticamente, dissimulando as suas manhas mecânicas. Antes de entrar, tempo para espreitar a mala e o compartimento do motor. Tal como previsto ambos se apresentam acanhados, com o porta bagagens a desaconselhar grandes volumes. Um som metálico precede o fecho das portas, condicionadas pela pouca área forrada, dando o mote da simplicidade ao resto da decoração. O tablier apresenta-se meio cru, num misto de plástico duro e metal. O volante de grandes dimensões, feito em baquelite, deixa ver todas as indicações dos manómetros atrás de si, com informação sobre a velocidade instantânea, quantidade de combustível, temperatura e indicadores luminosos para a pressão do óleo, ignição e direcção.

Com uma posição de condução alta, proporcionada pelos bancos, também eles simples no forro, trava-se conhecimento com a caixa de quatro velocidades, todas sincronizadas, e pedais, todos eles de micro-dimensões. Rodada a chave na ignição o motor pega à primeira, soltando o seu ronronar atrás de nós. Primeira engrenada e dá-se lentamente início à marcha. O resto das mudanças sucede-se, com o selector sempre muito preciso e com um toque muito suave. Difícil de imaginar uma caixa tão bem sincronizada num pequeno e simples carro como o Fiat.

O motor demonstra a sua qualidade de citadino, sempre à altura das exigências, ajudado pela caixa, bem escalonada. Mais difícil é a habituação ao pedal do meio, a pedir um comando firme devido à falta de servo-freio que assista os quatro tambores. Mas o pormenor dos travões é rapidamente esquecido com as primeiras curvas mais apertadas. É que, com uma distribuição de peso na ordem dos 36 por cento à frente e 64 por cento atrás, a direcção do Fiat torna-se muito imprecisa e leve com a velocidade.

O facto de ter o motor e o tanque do combustível atrás do eixo traseiro, e apenas a bateria sobre o eixo dianteiro, torna o comportamento do 850 muito vago na abordagem das curvas. O lado positivo é o de que a direcção em cidade não necessita de assistência, beneficiando da pouca carga no seu eixo. A própria travagem é melhorada com esta distribuição de pesos, já que a mudança de apoio não é tão drástica, mantendo sempre as rodas com carga constante.

Coupé Sport



A versão coupé do 850 é um belo representante da escola italiana de design. Com a sua secção frontal afilada e faróis redondos emparelhados, passando para a traseira a descair, quase que abruptamente, nos farolins de belo efeito, assume-se como um desportivo.
Já no seu interior muitas são as diferenças a apontar ao irmão mais velho. A começar pelos acabamentos, mais luxuosos, bancos forrados de material mais nobre, e o tablier a exibir uma decoração em madeira. O volante, de baquelite, tem atrás de si uma instrumentação mais completa e desportiva, com o conta rotações em destaque.



Ao rodar da chave somos inundados pelo som dos quatro cilindros, agora de tom mais grave. Mas ao contrário das expectativas, com o andamento, o coupé não é assim tão diferente da berlina. Mantendo as mesmas qualidades no selector da caixa de velocidades, o pequeno desportivo não leva muita vantagem, não permitindo o seu motor, mais vitaminado, parciais dignos de registo. Porém é agradável, empurrando o carro de uma maneira muito célere.
E se a unidade motriz não se diferencia, o mesmo não se pode dizer do comportamento em geral, continuando com a tendência subviradora, direcção vaga e pouco precisa. São as leis da física a tomar conta do Fiat e da sua distribuição de massas. Mas são as mesmas leis que lhe permitem obter tracção em qualquer lado, utilizando da maneira mais eficaz o seu sistema de travagem, com discos não assistidos no eixo da frente. Este é um pequeno desportivo com uma imagem muito forte, que alia as vantagens de um motor económico às de uma carroçaria coupé, com uma posição de condução mais próxima do solo e volante disposto quase na vertical.

Sport Racer



Apresentado pela primeira vez ao público em 1965, o Fiat 850 Spider é a interpretação do carroçador Bertone de um pequeno roadster baseado na mecânica do 850. A transformação do descapotável em coupé bi-posto, com a adição de uma capota rígida toda ela forrada por dentro, desaparecendo a capota de lona, veio mais tarde.

O motor foi aumentado, passando de 843 cm3 para os 903 cm3, incremento que lhe permitia obter mais rotação e potência que os seus dois irmãos. O Racer é o tipo de carro que, não deixando ninguém indiferente, também não é de cair de amores à primeira vista. Com uma silhueta muito afilada e olhos proeminentes, esta versão do Spider é, no mínimo, arrojada. A sua capota confere-lhe uma melhor insonorização, protecção contra os elementos e rigidez torcional, pecando o sistema pela sua morosidade a retirar e quase irreversibilidade, devido ao forro interior.



Depois de instalados no confortável banco do condutor, deparamo-nos com as primeiras diferenças. O apoio conferido é maior, a posição de condução é mais baixa e desportiva e o tablier é mais envolvente, com informação de sobra no mostrador. Logo atrás, onde deveria estar a capota, encontramos um grande espaço, óptimo para albergar bagagem.
Iniciada a marcha nota-se a potência do motor, que conta com 64 cavalos às 6 400 rotações. Notórias são também as diferenças ao nível de direcção, mais precisa e com um toque mais duro, em parte devido à utilização de pneumáticos mais largos, conferindo maior confiança. O equilíbrio do conjunto sai melhorado devido à distribuição dos pesos mais perto da perfeição (40 por cento à frente e 60 por cento atrás). Os travões, de disco à frente e tambor atrás, continuam a não ser assistidos mas cumprem com a obrigação, enquanto que o selector da caixa de velocidades é preciso e muito suave, com o toque familiar dos 850.

Estes três modelos, apesar do muito que têm em comum, apresentam-se actualmente como Clássicos de personalidade própria. O Sports Racer é o mais desportivo e raro, a berlina é o mais carismático e o Sports Coupé o mais bonito.

Mas há ainda outras alternativas, como o Coupé e o Spider e as altamente desejáveis versões Abarth. Na verdade, a família 850 é constituída por diversos modelos, para todas as utilizações e bolsas.

Fonte: Motores, por Ricardo Gouveia

Fiat 850 Coupé Sport (n.º de Coupés produzidos: 342 600)
MOTOR: 4 cilindros em linha, montado atrás, 903 cm3, uma arvore de cames à cabeça, carburador Weber de duplo corpo, 52 cavalos de potência às 6400 rpm
TRANSMISSÃO: às rodas traseiras, cx. manual de 4 vel., mais m.a.
SUSPENSÃO: à frente, independente com mola tipo folha na transversal, com barra estabilizadora; atrás, tipo McPherson, com barra estabilizadora; amortecedores telescópicos
DIRECÇÃO: parafuso e sector
TRAVÕES: à frente, discos; atrás, tambor, sem servo-freio
CONSUMO MÉDIO: 9 litros aos 100 km
VELOCIDADE MÁXIMA: 148 km/h

Fiat 850 Sport Racer (n.º de variantes Spider produzidos: 124 600)
MOTOR: 4 cilindros em linha, montado atrás, 903 cm3, uma árvore de cames à cabeça, carburador Weber de duplo corpo, 52 cavalos de potência às 6400 rpm
TRANSMISSÃO: às rodas traseiras, cx. manual de 4 vel., mais m.a.
SUSPENSÃO: à frente, independente com mola tipo folha na transversal, com barra estabilizadora; atrás, tipo McPherson, com barra estabilizadora; amortecedores telescópicos
DIRECÇÃO: parafuso e sector
TRAVÕES: à frente, discos; atrás, tambor, sem servo-freio
CONSUMO MÉDIO: 9 litros aos 100 km
VELOCIDADE MÁXIMA: 155 km/h

Fiat 850 (n.º exemplares produzidos: 1 780 000)
MOTOR: 4 cilindros em linha, montado atrás, 843 cm3, uma árvore de cames à cabeça, 37 cavalos de potência às 5300 rpm
TRANSMISSÃO: às rodas traseiras, cx. manual de 4 vel., mais m.a.
SUSPENSÃO: à frente, independente com mola tipo folha na transversal, com barra estabilizadora; atrás, tipo McPherson, com barra estabilizadora; amortecedores telescópicos
DIRECÇÃO: parafuso e sector
TRAVÕES: tambor às quatro rodas, sem servo-freio
CONSUMO MÉDIO: 8,5 litros aos 100 km
VELOCIDADE MÁXIMA: 122 km/h

Automóveis Clássicos  
« Última modificação: 19 de Março, 2008, 19:37:57 por Tiffosi »





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« Responder #1 em: 02 de Janeiro, 2008, 18:30:12 »
o texto fala num racer com 64 cavalos, as especificações falam em 52, qual estará certo?
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« Responder #2 em: 03 de Janeiro, 2008, 00:20:28 »
No que toca a Berlina e apesar do meu carro ja ter ultrapassado os 200.000kms o consumo nunca atingiu os valores de 8.5l

Tiffosi

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« Responder #3 em: 03 de Janeiro, 2008, 14:30:23 »
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o texto fala num racer com 64 cavalos, as especificações falam em 52, qual estará certo?
Boa questão qual estará correcta? Será uma edição especial?





Luke

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« Responder #4 em: 03 de Janeiro, 2008, 15:04:06 »
no minimo terá os 52 cavalos... mas começo a achar mt fruta 64 para o 903 de fabrica... para isso n se tinham feito os 1050 de 70hp...
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« Responder #5 em: 03 de Janeiro, 2008, 18:15:17 »
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o texto fala num racer com 64 cavalos, as especificações falam em 52, qual estará certo?
o racer de 64 cavalos é o "spider hard-top" se lhe podemos chamar assim.. ja conhecia o texto e é um pouco confuso e tem algumas lacunas mesmo relativamente as outras versoes..

este spider com 64 cavalos é o coupe biposto, nao o sport spider normal com capota de lona..

mesmo assim nao sei se será verdade, é so a minha interpretaçao do texto..

cumps :fiat:  
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