Nem a Mercedes escapa a um mau ano para as vendas. A Fiat é das poucas que está do outro lado.António Freitas de Sousa
Há um ano que o mercado português automóvel de veículos ligeiros (de passageiros, todo-o-terreno e comerciais) não atingia números tão diminutos como em Agosto passado: 15,4 mil veículos vendidos, um pouco melhor que em Agosto de 2007 (mais 2,9%), mas muito abaixo dos 12 meses de então para cá. Resultado: o acumulado do ano, de Janeiro a Agosto, voltou a piorar, estando agora nos menos 2,6%.
Mesmo assim, Hélder Pedro, da Associação do Comércio Automóvel de Portugal (ACAP), disse ao Diário Económico que não conta “rever em baixa as expectativas para o ano em curso: uma diminuição das vendas, que é mais uma estagnação, de 1,7%”. Até porque, afirma, “Agosto é um mês de pouca expressão nas vendas” e os valores ontem tornados públicos “estão em linha com o que estávamos à espera”.
A Opel (do grupo GM) é uma das marcas mais afectadas pela descida do mercado. Com quedas acumuladas em 2008 na ordem dos 11,2% (a que se junta uma variação homóloga negativa de 21,3% em Agosto passado), fonte oficial do grupo disse ao DE que estes números têm uma explicação. “Agosto apanhou a GM em fase de renovação das gamas, quer do Corsa quer do Astra.” Mas a Opel considera que Setembro, altura em que as novas gamas passam a estar disponíveis, poderá ser o início da recuperação. Até porque a marca reserva uma boa surpresa para os clientes: “Vamos apresentar preços mais competitivos”, disse Miguel Tomé.
A Mercedes, que costuma conseguir colocar-se à margem das oscilações negativas do mercado, desta vez não escapou: uma variação homóloga negativa de 16,1% e um acumulado de menos 9,2% até Agosto passado. Nuno Mendonça, director de Marketing, adiantou ao DE as razões para o sucedido: “O impacto do preço do petróleo sobre os consumidores” – numa marca cujo modelo mais ‘débil’ possui 1.500 centímetros cúbicos de cilindrada; e as dificuldades de financiamento: “Não nos esqueçamos que parte do mercado da Mercedes é constituído por empresas, que estão a controlar os custos das frotas”, disse. Muito melhor, está a outra marca do grupo, a Smart, que, “com motores pouco musculados e consumos ligeiros”, apresenta um acumulado positivo em 27,6%.
A Renault, líder do mercado, que, segundo fonte oficial, “pretendia crescer 10% até ao final do ano”, já reviu em baixa estes valores. Fonte oficial disse ao Diário Económico que “deveremos apresentar um crescimento ligeiro”, alavancado pelo aparecimento dos novos modelos Laguna e Megane.
A “gozar com o crescimento a contra-ciclo”, está a Fiat, com um crescimento acumulado de 32,6% em Agosto e uma variação homóloga positiva de 23,2%. Para Sérgio Martins, da Fiat, as razões estão encontradas: estamos presentes em todos os segmentos; os produtos mostram que a Fiat está diferente; e o 500 é uma loucura, como em toda a Europa”.Fonte:
Diário Económico