Maserati Quattroporte S
A Maserati efectuou um restyling ao Quattroporte e aproveitou para dar a conhecer a nova versão S do seu familiar. Equipado com um motor V8 4.7 de 430 cv, fomos à Áustria conduzir o Quattroporte S e a experiência deixou marca... latina
Veia latina
Desde que lançou o Quattroporte, em 2003, a Maserati já vendeu mais 15 000 unidades deste familiar, um sucesso que a marca pretende cimentar com o lançamento da nova versão S, a qual a AutoMotor teve oportunidade de conduzir na sua apresentação à imprensa, efectuada em Salzburgo.
A chegada desta versão mais potente foi acompanhada de um restyling na gama, que inclui novos pára-choques, com entradas de ar mais generosas, e uma grelha com frisos verticais. As ópticas utilizam um filamento de luzes LED (dianteiras e traseiras), os faróis de nevoeiro passam a estar integrados na zona inferior do pára-choques e existem agora umas agressivas jantes de 19 polegadas.
Por fora, o Quattroporte tem uma elegância muito particular, ou não fosse uma criação italiana, que pretende distinguir-se dos construtores alemães que habitualmente dominam o universo da berlinas de luxo. É que, apesar de ter mais de cinco metros de comprimento e uma distância entre eixos superior a três metros, este Maserati disfarça bem o tamanho graças a um equilíbrio nas suas proporções digno de elogios.
A combinação entre o charme e a desportividade parece muito bem conseguida, e ainda mais apurada com estes ligeiros retoques na indumentária.
O encanto continua quando se ace-de ao interior, espaçoso e bem cons-truído, onde não faltam acabamentos de bom nível e uma posição de con-dução muito cómoda, com o volante numa posição mais vertical do que é habitual, o que reforça a tónica des-portiva deste Maserati. A configuração da consola central também foi reno-vada e existe, em opção, um sistema multimédia Bose com GPS integrado, disco rígido de 40 Gb, entrada Aux/USB e som Dolby surround. Um interface para iPod e sintonizador de TV é também opção.
O grafismo do painel de instru-mentos também foi revisto e os bancos (em pele) foram melhorados para aumentar, simultaneamente, o conforto e o suporte do corpo para o condutor e passageiro.
V8 com 430 cv
O pulmão do novo Quattroporte S é um V8 de 4,7 litros atmosférico, capaz de oferecer uma potência máxima de 430 cv às 7000 rpm e um binário que atinge um pico de 490 Nm às 4750 rpm. Graças a estas características, a velocidade máxima anunciada é de 280 km/h e a aceleração 0-100 km/h é cumprida em apenas 5,4 segundos.
Com esta informação, não deverá ser difícil ao leitor adivinhar aquilo que sentimos ao volante deste familiar com sangue quente. As estradas austríacas e alemãs por onde passámos permitiram uma condução em bom ritmo, onde foi possível comprovar a boa dinâmica do Quattroporte, fruto de uma agilidade e um equilíbrio em curva pouco comuns num familiar com estas dimensões e peso.
Algo que se explica, em parte, pela distribuição de peso – 49% no eixo dianteiro e 51% sobre o eixo traseiro. A direcção tem um bom tacto e os tra-vões demonstram potência e boa re-sistência à fadiga, o que se compreende face aos quatro discos ventilados em aço e alumínio, com os dianteiros com maxilas de seis êmbolos, desenvolvidos pela Brembo.
A condução do Quattroporte S encanta tanto em ritmo de passeio como numa toada mais empenhada, com o som do V8 a ter grande responsabilidade no prazer sentido ao volante.
A caixa automática de seis relações é rápida nas trocas de relação e pode adoptar uma atitude mais desportiva se o programa Sport for seleccionado, o qual também torna a suspensão mais firme. Esta mantém a configuração denominada Skyhook, apesar das alterações efectuadas nas leis de amortecimento, para garantir o compromisso ideal entre o conforto e a eficácia.
Na prática, este Maserati é sempre confortável, mas não deixa de dar o feedback correcto ao condutor acerca do chão onde pisa, o que contribui para a envolvência da condução. O nível de aderência é muito bom, mesmo em piso molhado, e os movimentos da carroçaria são bem controlados para um automóvel com quase duas toneladas.
O pior defeito do Quattroporte S é mesmo o preço de 172 713 euros, mas, se estiver interessado na versão 4.2, o valor desce para 153 877 eu-ros. Consumos e emissões de CO2 também não são trunfos deste mo-delo, mas tudo é compensado por uma dinâmica bem latina, capaz de entusiasmar mesmo o condutor mais pacato e tranquilo.
Fonte:
Auto Motor