O V6 Busso, considerado por muitos como um dos melhores, senão o melhor motor V6 de sempre. Qualquer uma das suas versões é arrebatadora!
Queria aproveitar o facto de se estarmos quase a comemorar os 3 anos da saída de produção de um dos ícones da Alfa Romeo, para lhe prestar uma homenagem devida. A ele e ao seu criador, Giuseppe Busso.
Busso nasceu em 1913 em Turim, e formou-se em engenharia industrial.
Entrou em 1939 na Alfa, para o departamento de projectos especiais, onde desenvolveu motores de competição.
Foi contratado por Enzo Ferrari em 1946, a conselho de Gioachino Colombo, que em 1945 tinha voltado à Alfa Romeo, deixando vago o lugar de director técnico no desenvolvimento do 125 Sport, o primeiro Ferrari.
Contudo, no final de 1947 Colombo deixa a Alfa Romeo e este e Busso invertem de novo papeis.
Ao voltar para a Alfa Romeo Busso torna-se responsável pelo departamento de design de componentes mecânicos, e introduz no inicio da década de 50 o revolucionário Bialbero, mas isso é outra conversa.
Busso é também responsável por ícones como o 6C 3000 CM, o TZ, e o Tipo 33. Mas o seu trabalho culmina com o desenvolvimento do primeiro V6 da Alfa Romeo, na década de 70.
Com o mercado automóvel em expansão, a casa de Arese prepara um topo de gama executivo, que queria equipar com um 6 cilindros de mais de 2 litros.
A escolha do V a 60º foi preferida por vários motivos: o motor é menor do que um seis cilindros em linha e mais estreito que um prazo seis cilindros em V a 90º, enquanto que a altura era um compromisso entre os dois. Além disso, a experiência adquirida nos anos 50 com os 6 em linha, e os seus problemas de stress torcional na cambota, o que limitava o desempenho do motor, levou à busca de outras soluções. O V6, com cambota mais curta sofria menor stress torcional, o que potenciava o bom desempenho deste motor a regimes superiores.
O Alfa 6 é apresentado em 1978, com um seis cilindros em V a 60º de 2492 cc, 12 válvulas (até o aparecimento do 3.0 24v no Alfa 164, todas as derivações deste motor têm 2 válvulas por cilindro e SOHC) e 160cv.
Em 1982 foi apresentado, sobretudo por razões fiscais, um 2 litros, e em 1987, com o lançamento do Alfa 75 surge um 3 litros com 192 cv.
Em 1991, no 164, surge a (única) versão sobrealimentada desta família, na variante 2 litros, para tentar atingir o equilíbrio entre prestações e questões comerciais (acima de 2 litros a tributação em Itália era muito elevada).
O bloco foi reforçado para resistir ao aumento de potência, e foi dotado de uma electrónica muito sofisticada – sensores de detonação para cada cilindro, overboost, etc - para conseguir um desempenho flexível e suave, mas também uma performance acima da média, comprovado pelo facto de ter sido o primeiro V6 produzido em série com potencia especifica superior a 100cv/litro.
Com 207 cv e 306 nm de binário, este motor leva um 164 a uma velocidade superior a 240km/h e uma aceleração dos 0 aos 100km/h em 7.7 segundos. (desculpem a descrição mais longa do 2.0 Turbo mas tinha de puxar a brasa á minha sardinha)
Em 1992, o 3.0 V6 é equipado com quatro válvulas por cilindro. Na sua versão mais potente (164 Q4) desenvolve 230 cv.
Na sua última evolução, o V6 cresce até aos 3.2 litros e chega aos 250 cv nas versões GTA do 147 e 156 (240 cv noutros, como GTV e Spider ou 166).
O V6 ingressou também no mundo da competição, quer numa configuração quase série, quer numa configuração (bastante) mais evoluída, quando montado no 155 Ti do campeonato DTM. Com 490 cv e 12000 rpm, é mais uma prova do brilhantismo do desenho de Busso.
Outras provas desse brilhantismo são pormenores como o tensor hidráulico da distribuição. No texto da sua patente de 1978, Busso mostra preocupação com a expansão e contracção do bloco, que por ser em alumínio, é superior aos tradicionais blocos de ferro. A leitura é absolutamente deliciosa, o tipo de problemas que são levantados, e a precisão com que são abordados, dão que pensar, sobretudo tendo em conta que estamos a falar de 1978!!
Aqui fica o link do pdf da patente:
http://www.4shared.com/file/75096817/a8106...nte_tensor.htmlO V6 Busso é descontinuado a 31 de Dezembro de 2005 porque a Fiat considera demasiado dispendioso fazê-lo cumprir as normas anti-poluição. Curiosamente, e numa daquelas coincidências que colocam os cabelos em pé, Giuseppe Busso morre 3 dias mais tarde, a 3 de Janeiro de 2006. No seu funeral, dezenas de alfistas prestam homenagem, ao ligar os seus V6 junto á igreja…
Propunha então aqui neste post uma discussão acerca daquela que é uma das imagens de marca da Alfa Romeo à 30 anos. E pedia sobretudo aos donos de V6 Busso que se manifestassem.... Imagens e vídeos também são bem-vindos... Queria dar o exemplo e colocar uns vídeos do meu 164, mas perdi-os