Principais construtores automóveis em queda em Portugal Os quatro fabricantes automóveis que mais veículos ligeiros vendem em Portugal -- a Renault, a Opel, a Peugeot e a Citroen -- registaram quebras nas vendas em 2008
Ao invés do rumo descendente percorrido em 2008 pelas quatro principais marcas do sector automóvel, outros "players" do mercado como a Ford, Fiat, Seat, BMW, Nissan e Volkswagen, conseguiram crescer ao longo de 2008, embora com valores inferiores aos que haviam sido projectados no início do ano pelos seus dirigentes. Contudo, a tendência do mercado é mesmo determinada pelos resultados dos grandes operadores, e aí não há como contornar a queda das vendas que, no que diz respeito aos veículos ligeiros, e de acordo com os números agora divulgados pela ACAP, foram vendidos menos 0,5% de automóveis ligeiros em 2008 comparativamente com o ano de 2007.
Em conjunto, a Renault, que continua a ser a marca com o maior volume de vendas (12,27%), somada à Opel (segundo maior volume de vendas com 9,79%), à Peugeot (8,44%) e à Citroen (7,82%) representam 38,32% do mercado de veículos ligeiros em Portugal. De acordo com os número da ACAP revelados esta segunda-feira referentes aos resultados provisórios do mercado nacional, a Renault vendeu no ano passado 32.970 unidades, valor que resulta num decréscimo de 5,8% face aos 35.007 de 2007. Por seu turno, a Opel passou dos 30.787 ligeiros vendidos em 2007 para os 26.314 carros em 2008.
Já em relação às marcas francesas do Grupo PSA. nomeadamente a Peugeot e a Citroen, respectivamente terceira e quarta classificadas no ranking de vendas no mercado nacional, venderam, no caso da Peugeot, 22.682 veículos, e no caso da Citroen um total de 21.030 automóveis, o que corresponde a quebras de 5,7% e 6,1% respectivamente.
Fiat em posição de destaque
Descendo na tabela do ranking nacional de construtores, encontramos a Ford, que em 2008 comercializou um total de 20.359 veículos ligeiros, o que significa mais 5,1% relativamente aos resultados de 2007, quando comercializou 19.374 automóveis. Também a subir, embora de uma forma mais ligeira, está a Volkswagen, com um acréscimo de 1,7% nas vendas (20.125 carros contra os 19.779 em 2007). Na sétima posição surge a Toyota com as suas propostas vindas do oriente, mais propriamente do Japão, a sofrerem uma quebra nas preferências dos compradores, isto porque este construtor nipónico vendeu em 2008 apenas 16.462 automóveis, contra os 17.884 vendidos em 2007.
Por entre subidas e descidas, num mercado em que são mais os que descem, há que destacar alguns vencedores como a Fiat, que terminou o ano de 2008 um lugar acima do que havia conseguido em 2007, e com mais 28,4% de unidades vendidas (14.508 automóveis em 2008 contra os 11.303 em 2007). Para este resultado, o sucesso de modelos como o Bravo ou o Fiat Grande Punto, ambos já em "velocidade de cruzeiro" no mercado, bem como do Fiat 500, que chegou já em 2008 e repetiu em Portugal o sucesso conseguido em termos globais, foram alguns dos modelos responsáveis por este sucesso.
Também a Seat, com um aumento de vendas de 12,4% para os 14.123 veículos, a BMW, com um aumentos de vendas de 10,6% para os 10.020 automóveis, e a Nissan com um aumento de 35,1% para os 6.819 veículos, a Kia com ums subida de 79,4% para as 3.149 unidades e a Mini, com uma impressionante subida de 85,1% para os 1.533 automóveis vendidos, posicionaram-se entre as marcas com sucesso no mercado nacional. Nota ainda para a Dodge, igualmente pela positiva, já que vendeu no ano passado em Portugal 252 veículos ligeiros, contra os 102 vendidos em 2008, e para a Subaru que atingiu os 145 automóveis comercializados, um valor a assinalar já que em 2007 não tinha ido além dos 59 automóveis.
Pela negativa, e para além das referências já feitas aos principais construtores, será necessário assinalar a queda da Mercedes, com menos 4,3% das vendas relativamente aos valores de 2007, ainda a queda da Mitsubishi com menos 13,6%, ou a queda acentuada da Suzuki, com menos 40,9%, um valor que poderá surpreender alguns observadores que poderiam esperar desta marca outra prestação, nomeadamente num ano que lançou no mercado o citadino Splash, um modelo que não conseguiu igualar em sucesso a carreria anteriormente conseguida pelo Swift.
Mercado específico para carros de luxo
À margem da crise parecem estar algumas marcas ditas de luxo, nomeadamente a Aston Martin ou a Maserati, cujos produtos apresentam preços aparentemente proibitivos para os portugueses, a conseguirem, ainda assim, fazer aumentar os respectivos volumes de vendas. Assim, relativamente à marca preferida de James Bond, poderá dizer-se que Portugal encontrou este ano 27 candidatos à personificação do famoso "007", tantos quantas as unidades daquela marca vendidas no território nacional, mais cinco do que em 2007. Já para a Maserati, a subida foi ainda mais flagrante, já que contra os 10 veículos vendidos em 2007, vendeu no ano de 2008 um total de 22 unidades, o que resulta num crescimento de 120%.
Ainda nas chamadas marcas de luxo, a Porsche e a Ferrari registaram descidas no seu volume de vendas, nomeadamente dos 226 carros em 2007 para os 214 carros em 2008, no caso da Porsche (- 5,3%), e dos 17 carros em 2007 para os 16 em 2008 (- 5,9%). Marcas houve em Portugal que nem tão pouco se "estrearam" em 2008, nomeadamente a Lamborghini, que em 2007 tinha vendido dois carros, mas que no ano passado não encontrou compradores para os seus veículos.
Fonte:
LusoMotores, por Jorge Reis