Maserati GranturismoItália é, hoje, o país das griffes. Nomes como Armani, Versace, Dolce & Gabbana, e por aí fora, fazem parte do léxico da moda. Da mesma forma que, no mundo automóvel, o "Made in Italy" faz a diferença. Por isso, ninguém pode ficar indiferente ao novo Granturismo que a Pininfarina desenhou para a Maserati.
Este coupé é um italiano vero.
Italiano Vero
Criar condições para um amor à primeira vista é algo que só os designers italianos costumam conseguir com os seus automóveis. Se há muitos exemplos ao longo dos anos, a história também se repete. O último chama-se Maserati Granturismo, e tem a assinatura da Pininfarina.
A renovação da oferta da marca de Modena tem apostado muito na originalidade da forma. Basta pensar nos prémios de design conquistados pelo Quattroporte para perceber que a Maserati tenha voltado a bater na mesma tecla para o desenvolvimento do seu novo desportivo.
A Pininfarina conseguiu interpretar o estilo do construtor, criando um coupé onde a harmonia das formas nos conduz a um design intemporal. O mesmo é dizer que aliou as linhas clássicas de um desportivo de raça com a modernidade da forma de um automóvel dinâmico.
Do passado, a Pininfarina foi buscar a volumetria: um longo capot e uma traseira curta, com um grande equilíbrio de proporções, num automóvel grande (4,88 metros), não esquecendo a enorme grelha frontal que quase não deixa espaço para a placa de matrícula, o que nos remete para modelos históricos da marca de Modena, como o A6GCS de 1953.
O presente ditou as formas arredondadas, e os estudos em túnel de vento não condicionaram a elegância, que passa não só pela linha fluida que vinca o perfil do Granturismo, mas também pelas grandes jantes de 19 polegadas (20" em opção), que marcam o carácter desportivo, sem esquecer pormenores como o design dos grupos ópticos dianteiros, com faróis bi-Xénon adaptativos, ou os traseiros com 96 LED, sinónimo de modernidade tecnológica.
Surgiu, assim, um novo coupé com uma imagem que assume o ADN desportivo da marca transalpina e, ao mesmo tempo, aposta na modernidade da forma. Com o Granturismo, o construtor italiano procura ir ao encontro de uma tradição antiga: um automóvel de elevadas performances, fácil de guiar, passível de ser utilizado no dia-a-dia.
Com esta nova criação, a casa italiana procura competir num mercado onde pontuam propostas como o BMW M6, o Jaguar XK-R ou o Mercedes CLS 500, sem deixar de "piscar o olho" às vendas da Porsche. Mas assume o seu próprio caminho: abdica de uma suspensão superdesportiva (que faz com que o condutor sinta na coluna todas as irregularidades do piso), de uma direcção pesada e superdirecta como a de um kart ou de um pedal de travão a exigir muito músculo na perna esquerda.
Tudo porque o projecto foi ao encontro da velha máxima que diz que "quando se tem dinheiro para comprar um automóvel de grandes performances, já não se tem idade para desfrutar ao máximo das suas potencialidades"...
Grande habitáculo
O Maserati Granturismo partilha a mesma plataforma do Quattroporte, modelo do qual também herdou a arquitectura com o motor dianteiro e tracção traseira, conseguindo uma excelente repartição de massas (49% à frente e 51% atrás), o que potencia o seu comportamento dinâmico.
Quando se compra um automóvel de altas performances, já não se tem idade para desfrutar dele ao máximo
Sob o grande capot dianteiro, onde não seria difícil alojar um V12, surge um bloco V8 de 4,2 litros e 405 cv, o mesmo que a Alfa Romeo utiliza no superexclusivo 8C Competizione, com 450 cv de potência.
O Granturismo não é, nem a Maserati pretende que seja, um superdesportivo radical. Por isso, a marca contenta-se com os 285 km/h de velocidade máxima anunciada e com os 5,2 segundos necessário para passar de 0 a 100 km/h, performances mais do que suficientes para um desportivo destinado ao dia-a-dia.
Este tipo de utilização exige um habitáculo confortável. Por isso, o Granturismo tem 4,88 metros de comprimento, 1,84 metros de largura e uma grande distância entre eixos (2,942 metros), o que permite garantir espaço, especialmente na traseira, apesar da configuração 2+2. É certo que o túnel da transmissão surge como uma separação entre a esquerda e a direita, mas não é condicionante ao nível da habitabilidade.
A qualidade dos materiais, comuns ao Quattroporte, procura vincar o luxo. Os forros e estofos em couro propõem 10 opções cromáticas, ao mesmo tempo que uma vasta gama de opcionais permite a personalização de cada modelo. A posição de condução é digna de um grande desportivo, sendo fácil encontrar um lugar à medida, graças a todo o tipo de regulações eléctricas.
Ao volante
Silencioso e luxuoso, o Maserati Granturismo é um garante do conforto, com a sua grande distância entre eixos. Esqueçam lá os automóveis cuja suspensão duríssima faz com que a coluna vertebral queira entrar no crânio a cada impacto provocado pelas irregularidades do piso. É certo que essas suspensões, ao estilo dos fórmula, são hiper-eficazes, impedindo o mais ligeiro rolamento da carroçaria.
Esqueçam os automóveis cuja suspensão duríssima faz com que a coluna vertebral queira entrar no crânio a cada ressalto
O Granturismo fica aquém desse desempenho. Mesmo com o modo "Sport" activado, não é uma "tábua". A suspensão é capaz de absorver as irregularidades do piso, sem que isso altere o comportamento dinâmico. Nas zonas mais lentas, reage bem a acelerações intempestivas, com um ligeiro escorregamento do trem traseiro, sem que o controlo de estabilidade condicione o prazer de condução.
A caixa automática de seis velocidades potencia o dinamismo da condução, quando utilizada de modo manual através das patilhas colocadas atrás do volante. O sistema é muito rápido em qualquer mudança de velocidade e, para vincar o carácter desportivo, está programado para permitir chegar às 7200 rpm, regime em que já se anda verdadeiramente depressa.
Em face de tudo isto, poderemos concluir que o Maserati Granturismo é um grande desportivo, mas também um automóvel confortável e fácil de guiar, que nada tem que ver com aquele tipo de desportivos de que se está sempre à espera que se "virem ao dono". Por isso, surge como uma grande alternativa, quer ao nível da imagem, quer mesmo no campo familiar. Basta ter 156 178 euros para o pagar... É realmente muito, mas a culpa é da fiscalidade, já que, em Espanha, carro custa "apenas" 123 783 euros. Dá para acreditar?...
Ficha TécnicaFonte:
Auto Motor, por Rui Faria