A Fiat através da Magneti Marelli investiu no Brasil a elaboração de um sistema tetracombustível.

Uma das grandes atracções do Congresso SAE Brasil deste ano foi o test drive de um veículo com sistema tetracombustível, oferecido pela Magneti Marelli, batizado de TETRAFUEL. O sistema de injecção electrónica foi concebido para gerir de uma só vez quatro combustíveis: gasolina brasileira, gasolina pura (nafta) (utilizada nos países do Mercosul), álcool e GNV (Gás Natural Veicular).
Com o TETRAFUEL, a empresa está visando tanto o mercado nacional como as exportações. Isto porque a gasolina pura é utilizada em países da América do Sul, além da Argentina ser o país com mais veículos convertidos para o GNV em todo o mundo. "O principal objectivo da Magneti Marelli é oferecer um produto que respeite o meio ambiente e seja mais económico", analisa Fernando Damasceno, gerente de Desenvolvimento de Produto da Magneti Marelli.
Essa tecnologia foi desenvolvida pela divisão Controle Motor da Magneti Marelli, unidade responsável pelo desenvolvimento dos sistemas SFS (Software Flexfuel Sensor) de injecção electrónica, o mesmo princípio usado nos carros FLEX. A previsão é de que até o final de 2005 comecem a ser comercializados no Brasil, mas os modelos que serão equipados com o TETRAFUEL ainda estão em segredo.
Funcionamento 4 em 1
O sistema tetracombustível prioriza, principalmente, a economia de combustível. Gerido pela centralina faz a leitura dos quatro combustíveis e ainda identifica qual é a melhor opção, naquele momento, para andar com o menor consumo possível. A grande novidade é a activação automática do GNV, sem que seja necessário activar qualquer botão ou mudar a chave, como acontece nos veículos convertidos para GNV. E, como é a energia mais barata actualmente, toda vez que a central acusa que tem gás no depósito, o sistema vai utilizá-lo. Segundo o fabricante, o resultado dessa combinação é mais economia e melhora desempenho do veículo.

1 Centralina
2 Reservatório de partida a frio
3 Válvulas De controle de partida a frio
4 Sensor Integrado de temperatura e pressão – TMAP
5 Injectores IWP (líquido)
6 Sensor de rotação do motor
7 Sensor de temperatura de água do motor
8 Reservatório de combustível líquido
9 Reservatório de GNV
10 Sensor de detonação
11 Sonda Lambda
12 Bobina
13 Injector IPG (Gás)
14 Regulador de pressão de gás
Com apenas uma centralina (ECU), o sistema gere duas galerias de bicos injectores (flautas), sendo que cada uma tem quatro válvulas injectoras para alimentar o motor. Uma galeria injecta o combustível no estado líquido (álcool, gasolina e nafta) enquanto a outra faz a injecção do gás, quando necessário.

O combustível líquido dos tetracombustíveis tem o mesmo reservatório de um veículo com sistema FLEX e pode receber o álcool hidratado; a gasolina brasileira, que tem álcool anidro; e a gasolina pura. Em outros países existe o chumbo tetraetila, que é utilizado para aumentar as octanas da gasolina e, consequentemente, optimizar a potência do motor. No Brasil, a gasolina teve o chumbo adicionado em sua composição até 1983, mas foi substituído pelo álcool anidro – sem água. O chumbo causa a contaminação do catalisador e da sonda lambda, além de poder causar doenças no ser humano, pela respiração.
No tanque do GNV, o combustível gasoso é armazenado com a pressão de até 230 Bar. Antes de ser utilizado pelo motor, a pressão do gás é reduzida para 2 Bar por meio do redutor de pressão e, somente depois, é injectada pelos bicos individuais, para cada cilindro do motor. O redutor equaliza a pressão para que o computador possa injectar o gás com precisão.
O que muda no motor?
Os motores equipados com o tetracombustível devem sair do fabricante com adaptações em três itens básicos: cilindros, com sistema de abastecimento e válvulas; regulador de pressão; e as duas galerias de injectores. "O aumento de custo num veículo TETRAFUEL vem basicamente do cilindro, do redutor de pressão e da galeria com injectores GNV", explica Damasceno.
De acordo com a fabricante, o TETRAFUEL tem um software especial, que foi desenvolvido para proteger o motor e os componentes contra os efeitos colaterais apresentados com o uso do GNV, como bomba de combustível líquido, injectores e válvulas de escape. O conjunto não utiliza interruptor para mudar de um combustível para outro. O processo é todo automatizado, desde o arranque e funcionamento do motor até ser desligado.
"O TETRAFUEL proporciona ao motor o melhor combustível de acordo com as necessidades que o motorista solicita, sempre privilegiando o consumo. Se a aceleração for normal para uso quotidiano, o sistema interpreta a acção e escolherá o GNV para ser queimado, sempre que houver gás no tanque. Porém, em caso de uma aceleração de emergência ou necessidade extrema de potência, será usado o combustível líquido, seja ele qual for, que estiver no tanque", comenta.
Os sensores são os mesmos que já estão nos veículos actuais. Todos são importantes para o bom funcionamento do motor. São eles: sensor de temperatura do motor, temperatura do ar, pressão no colector de admissão, rotação do motor, posição da borboleta, sonda lambda, de nível do tanque e de pressão do gás, além do sensor de velocidade do veículo. O corpo da borboleta contínua com a mesma função, ou seja, a de fornecer potência ao veículo. Quando a borboleta está aberta passa mais ar e o motor adquire melhor desempenho. Nos veículos drive-by-wire, a borboleta é accionada pelo computador e, nos outros sistemas, por um cabo ligado ao pedal do acelerador.
Diagnósticos de falhas
Eventuais problemas que podem ocorrer no TETRAFUEL são detectados por meio de um diagnostico realizado nos sensores e nos actuadores. Quando há mal funcionamento de um dos componentes, o próprio sistema escolherá o melhor combustível para ser utilizado e a melhor estratégia para que o motor não deixe de funcionar.
Os códigos de avarias serão armazenados pela memória e estarão disponíveis para a correcta manutenção do sistema. Em termos de manutenção, o sistema exige apenas as trocas de óleo, dos filtros e a utilização de combustíveis e lubrificantes de boa procedência, além das revisões periódicas recomendadas pelo fabricante.

1 Centralina
2 Tanque de gasolina
3 Reservatório de GNV
4 Regulador de pressão de GNV
5 Injector IPG (Gás)
6 Injector IWP (Líquido)
Um dos mercados é a China
Técnicos brasileiros foram para a China colaborar com a subsidiária daquele país no desenvolvimento da tecnologia flex, naquele País o álcool é produzido do arroz A China tem o mercado automóvel, com o maior crescimento no mundo.