Autor Tópico: José Carreira  (Lida 2992 vezes)

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José Carreira
« em: 23 de Novembro, 2006, 23:19:18 »
FIAT pretende duplicar a sua quota



Em conversa com José Carreira, responsável de produto da FIAT em Portugal, apurámos quais os objectivos da casa italiana para o mercado luso, os quais apontam para nada menos que a efectiva duplicação da quota da marca para uma cifra superior a 14.000 unidades, até 2010.
Como seria de prever o Grande Punto assume uma importância preponderante nessa estratégia, mas a entrada de em cena de novos produtos, como o Bravo, o Dobló Panorama e o novo Cinquecento, serão determinantes neste esforço de crescimento.

Motores – O que é a FIAT hoje, em termos de oferta e posicionamento no mercado?

José Carreira – A FIAT é uma marca que está substancialmente melhor agora que nos anos passados, graças, obviamente, ao lançamento do Grande Punto, que é o modelo mais visível, mas também porque renovámos praticamente a gama toda nos últimos 3 anos.

A FIAT é uma marca generalista que está presente, não só no mercado de veículos de passageiros, mas também no mercado dos veículos comerciais, e nesse âmbito somos umas das marcas, para não dizer a marca, com a gama de oferta mais vasta e mais adaptada ao mercado português.

Temos também algumas deficiências, mas estamos cada vez mais próximos dos clientes porque temos produtos que as pessoas apreciam. E o facto de sermos tão apreciados pelas pessoas reflecte-se nas estatísticas, que mostram que a FIAT é, de entre o Top Ten, a marca que mais cresceu em 2006 termos percentuais, designadamente, na ordem dos 25% em termos de acumulado relativamente ao exercício de 2005.

Este crescimento deve-se em grande medida ao Grande Punto e a um trabalho muito profundo que temos feito na área da comunicação. Hoje em dia, os estudos de que dispomos mostram claramente que as pessoas começam a ter uma percepção diferente da marca, em virtude da comunicação e da forma como nos dirigimos às pessoas, mas também em virtude da nossa oferta de produto. Ou seja há aqui um conjunto produto/comunicação que as pessoas reconhecem hoje de uma forma mais positiva, descontraída e jovem, mas também muito mais qualitativa, no que diz respeito ao produto em si.

Sofremos durante alguns anos um problema que decorria de termos sido uma das marcas lideres no mercado e, quando se é líder, todos tentam ocupar esse lugar. Sofremos ainda com a má fiscalidade que existe no nosso país e pelo facto de durante algum tempo a FIAT não ter na sua oferta motores diesel de pequena cilindrada.

Motores – Relativamente aos motores diesel de baixa capacidade, comente o facto de a FIAT estar a assumir um protagonismo acentuado com a disponibilização de tecnologias e motores diesel para outras marcas.



José Carreira – É verdade!
Seja com os motores multijet, seja com as parcerias que a FIAT desenvolveu com a GM. Esta permitiu o desenvolvimento dos motores 1.3 e de motores 1.9 em novas versões, no âmbito dessa parceria, o que possibilitou à FIAT e ao Grupo GM beneficiar de um motor diesel que foi classificado como Motor do Ano 2005, quando a GM o levou a concurso.

Efectivamente, o Grupo FIAT com as parcerias que tem vindo a desenvolver ao nível de motores, tem proporcionado à tecnologia diesel multijet um desenvolvimento muito acentuado. A última parceria , como é do conhecimento público, foi celebrada com a Suzuki, para a produção de veículos para o mercado indiano. Ou seja, estamos neste momento a falar de permitir democratizar, digamos assim, a tecnologia common rail mesmo junto dos países “menos” desenvolvidos, onde as tecnologias diesel não eram muito apreciadas ou utilizadas.

Em Portugal, graças à tecnologia multijet, a FIAT tem aumentado substancialmente as suas quotas de penetração no segmento diesel. Todavia, temos ainda uma deficiência clara e importante junto do segmento C do mercado, onde temos o Stilo, o qual utiliza até à data apenas os motores 1.9. Embora sejam excelentes motores e aqueles que as pessoas deviam poder utilizar no seu dia a dia, devido à fiscalidade que temos no nosso país, não podemos proporcionar às pessoas um veículo tão barato como os outros.

Motores – Será despropositado pensar que a gama Stilo possa vir a beneficiar de um motor diesel de baixa capacidade?

José Carreira – A utilização de um motor 1.3, por exemplo, não está nos nossos planos. Mas com a chegada no próximo ano do Bravo, vamos poder dar ao cliente português um motor diesel menos penalizado pela fiscalidade e que simultaneamente se coadune com as nossas expectativas, designadamente um automóvel acessível, mas performante.

Motores – Relativamente ao caso português e concretamente em relação à gama FIAT actual, identifique quais são os actuais pontos fortes, os modelos porta estandarte da gama, bem como os pontos negativos da vossa estratégia.



José Carreira – Considero que o nosso único ponto fraco vai ser resolvido no próximo ano com a chegada do novo Bravo. Como já toda a gente teve oportunidade de ver pelas fotografias que já foram divulgadas junto da imprensa, o Bravo será sem dúvida um sucesso, na linha daquilo que tem vindo a ser o sucesso do Grande Punto em toda a Europa e também no nosso mercado.
Em termos de gama e se começarmos pelos segmentos mais baixos, temos o Panda que é uma referência, ou um ícone se preferirmos, no seio das pequenas viaturas. Mais recentemente temos o Panda Cross que é um automóvel extraordinário, além de muito bonito e que nos tem proporcionado o acesso a uma faixa de clientes que estavam afastados de nós dado que procuravam veículos marcados pela juventude e irreverência, e que não tinham no mercado uma oferta similar.

Esperamos que em 2007 o Panda Cross venha a conhecer um grande desenvolvimento. A FIAT, centralmente, também acredita e aposta no carro e a prova disso é a nossa participação no Rali Lisboa/Dakar 2007 com dois Panda Cross.

Relativamente ao segmento onde se inscreve o Grande Punto, convém lembrar que a FIAT ainda conta na sua oferta com o antigo Punto porque consideramos que se trata de um carro com enormes potencialidades face ao seu posicionamento preço/equipamento que estamos a oferecer. Com efeito, trata-se de um carro que é uma opção muito racional para o cliente português, uma vez que estamos a falar de um modelo que na sua versão diesel e full equiped tem um preço de venda ao público que ronda pouco mais que 16.000 Euros. Não há qualquer oferta no mercado a este nível.

O Grande Punto está a ser um enorme sucesso e tem trazido a marca para cima de uma forma muito intensa, em termos de vendas e da percepção que as pessoas têm a marca e do produto.

Motores – Este esforço para manter um desenvolvimento positivo da FIAT, de alguma forma, não tem tido reflexos claros junto da imprensa. Como se explica esta situação?

José Carreira – Efectivamente, na imprensa nem sempre os resultados são aqueles que nós achamos que fazem justiça ao produto. Talvez não tenhamos conseguido ainda demonstrar a qualidade dos nossos carros, talvez as pessoas não tenham percebido essa mesma qualidade. Fica em aberto se fomos nós que não conseguimos deixar clara a qualidade dos nossos produtos, ou se foi a imprensa que não percebeu essa qualidade.

Motores – Ainda em relação à FIAT em Portugal, quais são as perspectivas de crescimento da marca e quais são as ofertas da marca nos próximos anos?

José Carreira – A FIAT tem objectivos muito ambiciosos para Portugal! Muito ambiciosos mas perfeitamente realizáveis!

Esperamos que até 2010, e de acordo com o que é a estratégia da marca, atingir, no mínimo, as 14.000 unidades. Ou seja, praticamente duplicar o volume que temos hoje em dia.

Trata-se de um objectivo difícil, mas perfeitamente atingível e apoiado na gama que temos hoje em dia, nomeadamente, o Panda, o Grande Punto, o Bravo que chega no próximo ano e que face à segmentação do mercado nos permite imediatamente duplicar a nossa quota de mercado. Ainda não falei da Dobló Panorama, mais uma vez, um veículo com característica únicas e que oferecerá sete lugares a abaixo dos 20.000 Euros, em Portugal.

Depois temos uma gama de monovolumes Ulysse, que devido à fiscalidade não é muito vendido, mas se assentarmos a nossa estratégia nos quatro pilares que já referi, nomeadamente as gamas Panda, Grande Punto, Bravo e Dobló, acreditamos que no espaço de três anos podemos duplicar o número de vendas. É difícil mas não é impossível. Acreditamos que é francamente possível, face ao histórico da marca, face às reacções das pessoas relativamente ao Grande Punto e face às expectativas das pessoas ao novo Bravo.

Posso acrescentar que o sucesso da nossa estratégia passa também pela apresentação de um novo motor 1.6 diesel multijet. Embora ainda não haja uma data precisa para o seu lançamento, mas em meados do próximo ano já poderemos fornecer indicações mais precisas.

Motores – Existe na vossa estratégia de futuro alguma proposta destinada a combater o actual posicionamento, tendencialmente de liderança, do novo Citroën C4 Picassso?

José Carreira – A nossa estratégia não consiste em atacar esses segmentos, que já estão a ser muito concorridos, quer pelos alemães, quer pelos franceses, mas antes dedicarmo-nos aquilo que sempre foi e achamos que ainda é historicamente nosso.

Assim, para o final do próximo ano, e também para 2008, o nosso ex libris será o novo Cinquecento, um carro para o qual temos grandes objectivos. Trata-se de city car de quatro lugares que esperamos tenha alguma abrangência em termos de volume de vendas e que por certo será mais um marco histórico para a FIAT em termos de captação de novos clientes, graças as características como a inovação, a juventude e irreverência.

No que se prende com os veículos comerciais, estes são tão importantes que são tratados por nós como uma marca. A título de exemplo posso referir que a quota da FIAT no seio dos ligeiros de passageiros ronda os 3,5% do mercado, enquanto os veículos comerciais ascendem aos cerca de 5,5%, um número claramente superior.

Salientamos que no final de 2002 tínhamos à volta de 2% de quota no mercado de comerciais e hoje detemos 5,5%, ou seja mais de o dobro.

Outro aspecto importante para atingir o nosso objectivo de duplicação da quota de mercado de ligeiros de passageiros tem a ver com a nossa rede de concessionários. Neste momento a nossa estratégia de distribuição passa exclusivamente numa rede que assenta em distribuidores privados, não pertencentes à marca, que nos têm permitido atingir os nossos objectivos.

Muitos desses distribuidores são os mesmo que permitiram à FIAT há uns anos atrás ser líder de mercado e por isso mesmo são uma parte indispensável na estratégia de sucesso que estamos a desenvolver.

Fonte: Motores / Eurico Botas
« Última modificação: 23 de Novembro, 2006, 23:21:06 por Tiffosi »





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José Carreira
« Responder #1 em: 02 de Julho, 2007, 17:04:39 »
“Fiat bateu no fundo e hoje está muito forte”      



No dia em que foi conhecida a nova estrutura da Fiat Auto Portuguesa, agora Fiat Group Automobiles Portugal S.A., fomos recuperar uma entrevista com José Carreira no início do corrente ano.  

Em entrevista ao LusoMotores em Janeiro último, em serviço especial do LusoMotores para a revista Rent Magazine, José Carreira, à data da entrevista o Director Comercial e Marketing da Fiat Auto Portuguesa, não hesitava em afirmar que a “Fiat bateu no fundo e hoje está muito forte”. Por aquela altura estava longe de saber que viria a assumir de novo as principais responsabilidades na área da Fiat Professional. onde já então reonhecia que foi possível realizar um trabalho ímpar, tendo mesmo sido a tábua de salvação da empresa quando esta navegava à deriva.

Licenciado em Economia, José Carreira chegou ao mundo de trabalho em 1994, na Rover Portugal, como “controller”, logo após ter terminado a sua formação académica no Instituto Superior de Economia e Gestão, então com 23 anos. A Iveco, a Opel e a Peugeot Portugal sugiram como etapas na sua carreira profissional, acabando por ingressar na Fiat Auto Português (FAP) no final de 2002, então como responsável para a área de veículos comerciais, iniciando aquela unidade de negócio de uma forma totalmente autónoma. À data desta entrevista, o nosso interlocutor era o Director Comercial e Marketing da empresa para a Fiat, abrangendo as vertentes de veículos de passageiros e comerciais, mas no seu trajecto dentro da empresa chegou já a assumir, sozinho, as responsabilidades de nove elementos da Direcção da FAP.



Na verdade, quando, em 2005, a Fiat Auto Portuguesa passou por aquilo que José Carreira ainda hoje recorda como “a famosa reestruturação ibérica”, este viu-se “obrigado” a acumular as funções comerciais de todas as marcas, como o principal responsável da Fiat, mas também da Alfa Romeo, Lancia e Fiat Veículos Comerciais. Foi então a visto como a cúpula de uma pirâmide em Portugal que era liderada a partir de Madrid, numa situação já ultrapassada mas que o marcou, ao ponto de considerar então que a sua evolução dentro da Fiat tem sido, ou era até aquela altura, “um pouco traumática”.

Ao entrar na FAP para assumir a responsabilidade dos veículos comerciais, tida então como a gama mais importante na marca já que era a única que dava um contributo positivo para a Fiat, José Carreira encontrou o desafio permitido pela realidade da Fiat Veículos Comerciais (VC), que vendia pouco mais de 100 carros por mês, com lucros inexistentes, o que o levou a desenvolver um trabalho que, recorda, “permitiu, para os veículos comerciais, no final de 2003, apresentar um lucro de dois milhões de euros, acrescentar duzentas unidades por mês às vendas, e subir a quota de mercado de 2% para 5,3%, num trabalho que se prolongou até 2004”.

Pouco tempo depois, as suas responsabilidades subiram de forma vertiginosa durante a já referida reestruturação ibérica, quando acumulou funções até então desempenhadas por nove pessoas, todas ao nível da Direcção, como recorda: “A Fiat Auto Portuguesa tinha um pilar de volume concentrado na Fiat, tinha um pilar de rentabilidade em redor dos veículos comerciais, e depois tinha ainda mais duas marcas que estavam, e estão ainda, a passar por momentos mais difíceis, porque são marcas de menos volume, com outro ciclo de produto. Assim, houve a necessidade de me repartir em múltiplas funções, na área comercial e marketing, e para múltiplas marcas, o que levou a que acabasse por ter um nível médio de atenção mais baixo, porque era necessário da minha parte repartir a atenção por quatro marcas, ao que acumulava ainda a responsabilidade directa dos usados, o que era um problema enorme. Recordo que em 2004 ainda tínhamos um stock de cerca de 2500 carros, um valor alucinante se pensarmos que tínhamos uma média de vendas de 250 unidades por mês”.



No início do presente ano, porém, José Carreira não escondia o orgulho pelo trabalho desenvolvido e esboçava mesmo um sorriso ao recordar o passado: “Toda a política desenvolvida então visou criar condições para construir o futuro. Hoje, tenho muito orgulho em poder dizer que a Fiat Auto Portuguesa, no conjunto de todas as suas marcas, possui no seu stock de usados cerca de 250 unidades, o que revela que foi feito um trabalho que demorou muito tempo, implicou muito esforço e muito menos vendas. A título de exemplo, em 2005 fizemos 350 unidades de rent-a-car, o que é ridículo para uma marca generalista. Este ano, fizemos mais vendas no rent-a-car – cerca de mil carros –, mas com muita precaução pois não queremos voltar a cometer os mesmos erros do passado”.

Em Janeiro de 2006, já com a estrutura da Fiat mais “tranquila” e “esclarecida”, José Carreira assumiu a Direcção Comercial e Marketing, nomeadamente esta última área, naquele que define como “mais um desafio muito interessante”, mas do qual garante gostar muito. “Passei uma parte importante da minha vida no marketing, e olhando para o último ano, tenho muito orgulho naquilo que a marca fez. Fomos uma marca que fez um lançamento importante como o do Grande Punto de uma forma muito diferente relativamente ao que era habitual e tradicional em termos de meios utilizados, na forma de abordagem feita ao produto e na publicidade, e tudo isso foi feito, não com uma maior esforço de investimento, mas antes procurando aplicar muito melhor o dinheiro para tornar visível o trabalho realizado”.

“Ainda temos um problema que vamos resolver para o ano, que é facto de não estarmos presentes no segmento C, um segmento que representa 40% do mercado automóvel português, e que, só por esse facto, impede que as pessoas tenham a ideia mais correcta daquilo que é a marca hoje, mas os lançamentos que vamos fazer, nomeadamente o Fiat Bravo, o Fiat 500 – este vai ser, seguramente, mais um grande sucesso da marca –, e o Fiat Línea, um produto em que acreditamos muito pela força que possui, vamos certamente conseguir excelente resultados”.Ao longo de 2006, o crescimento da Fiat no mercado internacional, mas também, e particularmente, em Portugal, foi perceptível até pelo observador menos atento, com um crescimento, em termos de volume de vendas, na ordem dos 25 por cento. Obviamente que este volume assentou muito sobre o Grande Punto, até porque a Fiat não está presente no segmento C, e isso levou a uma pergunta concreta: não será um risco muito grande sustentar o crescimento de uma marca num só produto? José Carreira não hesita na resposta: “Era um risco se não víssemos a luz ao fim do túnel, mas a verdade é que em 2007, com a chegada de três novos produtos, poderemos dizer que não somos uma marca ‘mono-segmento’. Seremos antes uma marca presente em todos os segmentos, e com muita força, de uma forma que a Fiat nunca teve”.



Contudo, os cuidados em relação a algumas áreas, segundo entendia então José Carreira, deverão continuar a existir em redor da Fiat, nomeadamente no que diz respeito à questão do rent-a-car, que continuará a ser feito, “mas com muita contenção”, isto porque José Carreira adverte que a Fiat está consciente de que foi uma política menos correcta na área do rent-a-car que levou a marca a uma situação francamente negativa. “Na rede de concessionáriossó os bons vão sobreviver”. No último ano poucos deixaram de saber que a tecnologia dos motores diesel nasceu no seio da Fiat, mas para tal foi necessária uma aposta na comunicação que até então não havia sido feita, como refere o nosso interlocutor: “Nós fomos os inventores da injecção directa e do sistema common-rail, e nunca comunicámos isso às pessoas. Aliás, se perguntarmos às pessoas quem foram os inventores desses sistemas, há um ano atrás as pessoas diziam outras siglas que não a Multijet. Este ano, porém, desenvolvemos uma campanha específica a dizer claramente às pessoas que fomos nós que inventámos o Multijet, e nota-se claramente que as pessoas ficaram surpreendidas, mas pela positiva”.

“Uma comunicação correcta é determinante para o sucesso, mas a verdade é que num passado recente, não houve a capacidade de comunicar essas novidades às pessoas, que apenas agora estão a aperceber-se da capacidade que a marca possui de inovar”, acrescenta ainda José Carreira para quem a Fiat procurou, ao longo do último ano, comunicar a realidade do Multijet, sempre com o cuidado de designar os motores como sendo “diesel Multijet”, associando os conceitos para deixar as coisas bem claras e evitar equívocos.Também por isso, este responsável considera que deverá ser atribuída à área de Marketing uma fatia do sucesso da Fiat Auto Portuguesa pela eficiência com que tem conseguido investir o respectivo orçamento: “Temos conseguido ser eficientes e apostámos na inovação. Fomos a primeira marca a fazer um lançamento de um novo modelo como o Grande Punto com uma acção de ‘drop-mail’ para quatro milhões de lares de portugueses, adoptámos uma estratégia de visibilidade dos nossos modelos junto dos nossos concessionários com imagens de enorme tamanho, por forma a que seja impossível que passem despercebidas, e tudo isso resulta de uma estratégia de marketing que se tem revelado acertada, o que me permite um orgulho particular”.



Outro factor sempre importante para o sucesso de uma marca é a forma como se encontra implementada a respectiva rede de concessionários, um tema relativamente ao qual José Carreira recorda que “foram operadas alterações substanciais no ano de 2005, com a introdução de novos concessionários, seguidas de uma certa estabilização em 2006”. “Agora, em face da competitividade crescente, acreditamos que 2007 possa ser um ano também de reestruturação em Portugal, de uma forma abrangente, e sem excepção na Fiat Auto Portuguesa. Ou seja, estamos perante um período especialmente difícil, em que só os bons vão sobreviver”, deixa claro José Carreira.

A rede Fiat é actualmente formada por um total de 32 concessionários, e é de crer que dentro de um ano a ano e meio este número se mantenha, ainda que aquele que surgia no início do ano como Director Comercial e Marketing da marca admitisse por essa altura que os 32 concessionários que possam estar em funcionamento no futuro a médio prazo possam não ser propriamente os mesmos que existem actualmente. Afinal, como recorda, a exigência para se ser concessionário automóvel é cada vez maior, e a qualidade é um factor determinante. “Toda a nossa estratégia vai funcionar em redor da qualidade, com uma selecção natural da espécie na qual só os bons vão sobreviver. A marca Fiat voltará a ter muitos produtos novos, mas o nível de exigências vai ser também substancialmente superior para fazer face à necessidade de satisfação do cliente”, explica. Franco crescimento em 2006 e o dobro de vendas em 2010.



Em termos numéricos, o ano de 2006 foi, para a Fiat, francamente positivo, com um crescimento global na ordem dos 25% relativamente ao ano anterior no que diz respeito ao mercado dos veículos de passageiros. Já em relação aos veículos comerciais, num mercado que caiu, até Novembro de 2006, um total de 3,4%, a Fiat cresceu 4%, o que deixa claro que 2006 foi, para a Fiat, um ponto de viragem. Agora, em relação ao ano de 2007, José Carreira mostra-se optimista, apesar de deixar um alerta que, de algum modo, vai para o interior da própria marca: “O ano de 2007 vai ser muito importante para a Fiat, pois teremos que consolidar o Grande Punto, iremos lançar um ícone para a marca que se chama Fiat 500, que será capaz de oferecer, em simultâneo, facilidade de circulação, manobrabilidade, lugares pois estamos perante um veículo de quatro lugares, e preço, teremos ainda o Línea, e temos no mercado o Dobló Panorama, que nos últimos quatro meses duplicou as suas vendas mensais”.

“Assim, depois de termos regressado aos dez primeiros, queremos consolidar resultados, e temos objectivos para Portugal que passam por conseguir duplicar as vendas até 2010, uma meta difícil mas possível com a linha de produtos que teremos ao nosso dispor. Apesar disso, em 2007, e perante a previsão dos lançamentos em termos de sazonalidade, não podemos ainda ter objectivos muito elevados, até porque sabemos que o crescimento não sustentado pode trazer maus resultados práticos”, afirma José Carreira para quem o duplicar das vendas, apesar de ser uma meta ambiciosa, é consciente, num momento em que a colocação no mercado do Bravo irá permitir à Fiat passar a competir em mais 40% do mercado através da entrada no segmento C. Ainda a propósito do mercado automóvel português, sempre importante na sua análise é a forma como está estruturada a carga fiscal, sobre a qual estão prometidas importantes mudanças.

Porém, nem por isso José Carreira admite grandes expectativas, admitindo que “os clientes portugueses vão continuar a pagar muito mais que os Europeus”, ainda que considere que estamos finalmente “num bom caminho”.

“O facto de começarmos a dar uma preponderância maior à parte ecológica é positivo, e é esse o caminho a adoptar, mas não acredito que o Governo avance para uma alteração radical do sistema actual, pelo que penso que a anunciada mudança no quadro fiscal não deverá ter grande influência na dinamização do mercado em 2007”, explica José Carreira, para quem “não é possível dizer que os carros vão baixar”. No final, pedimos a José Carreira uma definição para o momento vivido àquela data, no início de Janeiro último da então ainda Fiat Auto Portuguesa: “Vivemos um momento de esforço para os grandes sucessos que aí vêm. Nós somos muito humildes, e achamos que serão os clientes a ditar as glórias, sendo certo que temos produtos que irão ser sucessos enormes”.

Fonte: LusoMotores / por Jorge Reis

 





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José Carreira
« Responder #2 em: 30 de Julho, 2007, 17:43:31 »
Fiat Panda Adventure resumido por José Carreira    



O actual responsável pela "Fiat Professional" dentro do Fiat Group, e à data do evento responsável pelo marketing da marca italiana, falou com o LusoMotores sobre um evento ímpar para o pequeno Panda.  

Quando, no final do passado mês de Maio, o LusoMotores acompanhou o "Fiat Panda Cross Adventure 4x4", um evento organizado pelo Clube Escape Livre com base na qualidade do pequeno modelo da Fiat, pudemos verificar a qualidade, desde logo inquestionável, da organização dos eventos a cargo do Clube Escape Livre, mas também do próprio Panda 4x4, um modelo que se assumiu ali, para quem ainda tivesse dúvidas, como um todo-o-terreno que, embora pequeno no tamanho, mostrou ser grande na capacidade de enfrentar caminhos mais complicados. Isso mesmo ficou claro, depois, no final, quando falámos com José Carreira, à data responsável pelo marketing da marca italiana em Portugal, e que encontrou nas paisagens dos rios Coa e Douro recintos naturais capazes de proporcionar ao pequeno Fiat Panda Cross a revelação das suas reais qualidades.

Curiosamente, José Carreira, por motivos profissionais, não acompanhou todo o evento, mas nem por isso deixou de considerar que ficou ali a ideia clara daquilo que se pretende transmitir em relação ao Fiat Panda Cross, um modelo "diferente, irreverente e divertido", e que não deixou que ninguém deixasse o evento sem que as suas expectativas não tivessem sido superadas, o que permitiu que o evento tivesse ido ao encontro daquilo que a então Fiat Auto Portuguesa, hoje Fiat Group Automobiles Portugal, pretendia.

Destacando a parceria com o Clube Escape Livre, José Carreira frisou que esta foi, no seu entender, "a melhor, porque foi feita com a melhor entidade organizadora deste tipo de eventos de todo-o-terreno, que foi capaz de se superar e superar mesmo as expectativas da Fiat". "Por isso, se o fizermos de novo, será com certeza com o Escape Livre", garantiu então José Carreira.

A propósito do Fiat Panda, e depois do Grande Punto ter permitido à Fiat dar o salto qualitativo, e principalmente quantitativo, na aceitação por parte do público da sua nova gama de produtos, o pequeno Panda não ficou atrás, assumindo-se também como um modelo com uma excelente aceitação por parte do público, como explicou este responsável: "O Panda tem tido um grande sucesso em Portugal, apesar de tudo não tão grande como na Europa mas apenas porque, apesar de tudo, existem muitas pessoas que não têm capacidade para ter um segundo carro que é a principal vocação do Panda".

"O Panda Cross, sendo em Portugal um carro de imagem e divertido, não um segundo carro obrigatório mas um segundo carro por opção, está a representar uma percentagem muito importante das nossas vendas e acreditamos que é por ai que as vendas vão crescer", explicava José Carreira à data deste evento, numa referência que se mantém actual se olharmos para os números de vendas da Fiat.

Curiosamente, Fillipo Rivanera, o Director-geral do Fiat Group Automobiles Portugal e actual "country-manager" da marca Fiat no nosso país, um elemento que também acompanhou este evento, em conversa com o LusoMotores explicou a aposta mais reduzida que sempre foi feita na comunicação das reais capacidades do Fiat Panda, nomeadamente da versão 4x4, pela necessidade de haver uma relação de causa/efeito entre os investimentos feitos na comunicação de um determinado modelo e os resultados conseguidos. Afinal, o mercado português não permite resultados verdadeiramente significativos nas vendas de um produto de nicho como é o Panda Cross, para além de que a marca italiana apostou quase todo o investimento publicitário visível no Grande Punto. Porém, como se mostrou convicto Fillipo Rivanera, e José Carreira reforçou depois, com os novos modelos da Fiat -- ainda recentemente foi lançado o novo Fiat Linea para além de estarem já marcadas as datas para as chegadas de produtos como o Bravo ou o novo 500 --, os responsáveis pela marca italiana acreditam que "muito mais gente irá acorrer aos concessionários da Fiat, podendo aí conhecer as novidades, mas também os modelos que, não sendo propriamente novos, vão ter oportunidade de provas a respectiva qualidade".

A ideia, de acordo com os responsáveis da Fiat, não é mudar as intenções de compra dos seus potenciais clientes que se dirigem aos concessionários da marca italiana, mas é antes a de dar a conhecer outras opções e outros produtos. "As pessoas vão em busca de um determinado carro e não são influenciadas a alterar a sua escolha de produto mas, simplesmente, tomam conhecimento que existem outros produtos, isto porque ter conhecimento é o primeiro passo para poder adquirir, ou pelo menos poder transmitir a mensagem", comentava a propósito Fillipo Rivanera em diálogo mantido com a reportagem do LusoMotores.

Está aí o Fiat Linea

Já depois do Fiat Panda Cross Adventure, a marca italiana lançou no mercado nacional o Fiat Linea, um carro que já à data do evento organizado pelo Clube Escape Livre era definido por José Carreira como um modelo capaz de "superar as expectativas de toda a gente a todos os níveis: em termos técnicos, mas também no aspecto estético porque todas as pessoas são consensuais a dizer que é dos três volumes mais bonitos". "Trata-se de uma berlina de três volumes, equipada com um motor perfeitamente adaptado às nossas necessidades, e vai com certeza surpreender muita gente em termos de vendas", garantiu.

Recusando a ideia do Linea tratar-se de "um Grande Punto de três volumes", ou "um Grande Punto com mala", José Carreira, em jeito de remate final do único momento em que o diálogo com o LusoMotores versou trabalho, num fim-de-semana de aventura e divertimento em redor do Panda Cross,  definiu o Linea como "um segmento C puro e duro tanto que, só como ideia, é um carro que tem uns milímetros a mais que um Prius e que um Volkswagen Jetta, e possui 500 litros de bagageira".

A conversa terminou por ali, e era tempo de desfrutar o resto do fim-de-semana com o Fiat Panda Cross Adventure e as iniciativas em redor deste evento, organizado pelo Clube Escape Livre, pleno de motivos para nos prender a atenção no lazer e na beleza impar de paisagens naturais. O pequeno carro do construtor italiano continuou connosco até ao final do evento, e quando o deixámos ficámos com uma ideia diferente, para melhor, das capacidades do Panda que, aliás, até já conhecíamos e de que gostámos ao primeiro contacto, e que ainda assim nos conseguiu surpreender.

Fonte: LusoMotores, por Jorge Reis



 





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José Carreira
« Responder #3 em: 20 de Outubro, 2008, 19:53:14 »
A Fiat Professional possui um projecto a médio/longo prazo      



José Carreira assume com indisfarçável orgulho os bons resultados que a Fiat Professional tem conseguido, nomeadamente porque, explica, “possui as melhores propostas numa relação preço/qualidade!”

Nos números mais recentes do mercado automóvel divulgados pela Associação do Comércio Automóvel de Portugal (ACAP), esta associação destacava o facto do sector dos veículos comerciais estar em queda acentuada, o que era evidente para quem olhasse rapidamente para os números, mesmo sem uma preocupação de detalhe. Porém, mesmo nessa observação pouco atenta, facilmente se verifica que num cenário de queda generalizada, há pelo menos uma marca que foge à regra, e consegue apresentar números que, embora minimamente positivos, com poucas décimas acima do nível zero, dá conta de uma realidade que a diferencia das demais. Falamos na Fiat, que no caso dos veículos comerciais é o mesmo que falarmos da Fiat Professional, e isto porque na marca italiana há uma estrutura autónoma e independente para o segmento dos veículos comerciais que desde há vários anos tem construído uma imagem de sucesso e credibilidade no mercado nacional, imagem essa que continua a dar frutos mesmo em épocas de maior recessão e crise como aquela em que vivemos.

Já conhecido dos leitores do LusoMotores de entrevistas anteriores, José Carreira, que se encontra à frente da Fiat Professional, a divisão da marca italiana para os veículos comerciais, com quem dialogámos no passado mês de Setembro sobre a realidade da área que dirige dentro do Fiat Group Automobiles Portugal. Por questões de alinhamento informativo não nos foi possível publicar anteriormente esta como outros trabalhos no LusoMotores, mas porque a realidade de sucesso da Fiat Professional continua perfeitamente actual, não podíamos deixar de dar conta deste diálogo com alguém que possui uma posição privilegiada para ter uma noção alargada do mercado dos veículos comerciais.

Olhando para os números da ACAP, a variação nas vendas, para cima, de algumas décimas, pode ser traduzida por uma estagnação, mas se compararmos com os restantes operadores verificamos que este resultado significa um trabalho de sucesso, isto porque as vendas de veículos comerciais em todas as restantes marcas caiu a pique nos últimos meses. Quisemos, por isso, saber junto de José Carreira a razão deste sucesso, surgindo a resposta precedida de uma pequena análise ao mercado. Afinal, num mercado que no passado mês de Agosto caiu mais de 23 por cento, a Fiat Professional conseguiu uma variação mínima, mas ainda assim positiva, e “isso é fruto de um trabalho muito forte”. “Veja-se que todas as marcas que estão à nossa frente não podem dizer que não caíram!”

– Quais as razões para essa realidade?
A primeira razão deriva do facto de termos uma estrutura dedicada. Afinal, só nós e a Mercedes é que conseguimos crescer neste mercado, e talvez porque somos as duas marcas que temos estruturas completamente dedicadas aos veículos comerciais. No nosso caso, pelo menos, a acção das pessoas é completamente independente das outras áreas da marca Fiat, reportamos directamente a Itália, e podemos agir a pensar exclusivamente naquele negócio sem que se torne necessário analisar a globalidade da prestação da marca. Por esta razão, nós que tínhamos 6,24% de quota no ano passado, temos agora 8,17%, o que significa um crescimento em termos de quota de 33%. Isso ficou a dever-se, por exemplo, à introdução do Fiorino, mas não podemos colocar sobre esse produto os louros de todo o trabalho porque se trata de um trabalho muito mais alargado.

– Aliás, o Fiorino foi destacado recentemente com o título de veículo utilitário do ano, tal como aconteceu com os seus “gémeos” Nemo e Beeper, respectivamente da Citroen e da Peugeot, e essas duas marcas não têm resultados globais nem sequer aproximados aos da Fiat Professional no segmento dos veículos comerciais…
De facto assim é. O Fiorino é um veículo com potencial, basicamente, porque está à espera de uma alteração fiscal, e principalmente de uma alteração cultural na Europa. Há que ter em conta que o Fiorino foi desenvolvido a nível europeu para ocupar o segmento de entrada uma vez que já tínhamos o Fiat Dobló, e nos pequenos furgões está a haver a tendência de que os carros sejam cada vez maiores. Uma vez que assim é, passou a existir espaço para um veículo mais pequeno, e mais uma vez a Fiat Professional, neste caso com a parceria com o Grupo PSA, antecipou-se e desenvolveu um produto para um segmento onde não havia propostas no mercado, que é o segmento que vai competir directamente com os derivados de turismo. É claramente mais racional um cliente comprar um Fiorino do que um derivado de turismo. É claro que podemos perguntar porque é que ainda se vendem tantos derivados de turismo em Portugal, e a resposta é simples: porque é uma questão cultural, que desde há anos que é assim, e as pessoas, para algumas funções, ainda preferem ter um carro com um aspecto de veículo de passageiros. Agora, do ponto de vista racional de uma empresa, não faz sentido que assim seja. Em paridade de qualidade, o Fiorino é mais resistente do que um derivado de turismo. É claro que compreendemos que uma empresa que tem a necessidade de deslocar um trabalhador do ponto A para o ponto B até poderá ter um derivado de turismo como o Grande Punto Van, mas se for para transportar alguma coisa, claramente que a Fiorino é a melhor opção.



– Passa apenas por aí a vantagem do Fiorino?
Não. As pessoas deveriam passar a optar pelo Fiorino porque se trata de um carro de futuro, e sendo assim não vai ter problemas de valor residual. No futuro, antecipamos que o segmento dos derivados de turismo, não tendo expressão ao nível da venda dos novos, vai sofrer ao nível dos valores residuais. Basta ver o que aconteceu aos modelos 4x4 de um momento para o outro. Quando se mexeu nos impostos dos veículos 4x4 toda a gente pensou que os veículos usados iriam valer uma fortuna face aos aumentos dos novos, mas a verdade é o mercado do 4x4, novo e usado, morreu. Por isso nós, estamos na vanguarda do mercado, e apenas vendemos ainda muitos vans porque há uma questão cultural que o justifica, mas a tendência é para que isso deixe de acontecer.

– Em termos de valores, a opção entre um Grande Punto Van e um Fiorino…
A opção pela Fiorino é substancialmente mais barata, mas também mais racional. Enquanto que um Fiorino Cargo custará qualquer coisa como 13.5000 euros, um Grande Punto Van atira o seu preço para os 16.500 euros. Ora, num clima económico em que não há muita disponibilidade para fazer grandes, gastar mais 3000 euros numa viatura que, em termos de valor, acrescenta o mesmo à empresa, e cuja desvalorização é mais acentuada, porventura será um erro efectuar esse erro. É claro que nós, como marca, estamos tranquilos porque temos os dois produtos para oferecer ao cliente, mas estamos duplamente tranquilos porque no momento em que o cliente perceber que a melhor opção passa pela aquisição da Fiorino já estamos no mercado, enquanto que os outros estão a chegar agora.

Fiat Fiorino veio marcar o rumo da Fiat Professional

– Pode-se dizer que o Fiorino foi um modelo que veio marcar o rumo recente da Fiat Professional?
O Fiorino, sendo um novo modelo a acrescentar à gama, veio permitir à Fiat Professional afirmar que somos a marca possui a gama mais recente nos veículos comerciais. É certo que nos veículos comerciais, a introdução de modelos novos não é uma coisa tão importante como no mercado dos veículos de passageiros, sendo antes o factor mais importante a racionalidade, algo que ainda falta ao cliente português, que nem sempre tem a devida racionalidade na aquisição de um veículo comercial. Essa racionalidade tem que ser equacionada com base em factores como a relação custo/qualidade ou custo/utilização, e não em factores subjectivos como acontece em muitos casos.

– Ainda se compram derivados de turismo por questões meramente de imagem, para não passar a imagem directa de que andamos com um veículo comercial?
Sem dúvida que sim. O segmento dos derivados de turismo existe, não por uma questão racional, porque se fosse meramente esse o problemas as pessoas iriam optar por veículos como o Fiorino, mas existe porque aquele ideia de que um derivado de turismo é mais bonito. É claro que nós também temos a felicidade de sabermos que o Fiorino, do ponto de vista estético, está a agradar muito às pessoas, e estamos a efectuar um arranque mais lento porque em Portugal o mercado dos pequenos furgões era até há pouco tempo exclusivamente ocupado pelos derivados de turismo. Actualmente, estamos convictos de que o Fiorino, do ponto de vista estético, está a agradar às pessoas, e do ponto de vista estético está a correr como planeámos. Por outro lado, achamos que as pessoas, conhecendo os produtos e vendo os produtos na estrada, vão começar a adaptar-se daquela que é a tendência europeia. Aliás, estamos certos que os decisores das grandes frotas vão ter que dar respostas cada vez mais racionais, e quando o começarem a fazer verificarão facilmente que já hoje a Fiat Professional possui propostas muito mais adaptadas a diversos clientes que ainda continuam a apostar, quanto a nós erradamente, nos derivados de turismo. De qualquer forma, também é um facto que temos a possibilidade de dizer ao nosso cliente… «Temos estas duas possibilidades em termos de produtos, agora escolha!», e esta é uma situação que outras marcas não o podem fazer tão facilmente.



– Olhando para a realidade global da Fiat Professional, recordo-me que há pouco mais de um ano, referiu que num momento em que a então Fiat Auto Portuguesa não passou pelo seu melhor momento, foi, de algum modo, a Fiat Comercial a sustentar o barco. Hoje, a realidade da Fiat é diferente. Mas ainda é assim?
Eu não gostaria de falar enquanto um elemento do Grupo, mas tão só em nome da Fiat Professional. No entanto, os dados que temos apontam para o facto de que há seis ou sete meses, quase metade dos veículos assistidos ou reparados nas nossas oficinas eram veículos comerciais. Sabendo que o número de entradas numa oficina é superior em cerca de três vezes mais nos veículos comerciais do que nos veículos de passageiros, desde logo pela quilometragem que um e outro fazem no mesmo período de tempo, e pelo consequente desgaste de materiais, que é maior nos veículos comerciais, também aqui pelo maior número de quilómetros percorridos, é normal que sejam os veículos da Fiat Professional que geram maiores receitas. E é claro que com isto não quero dizer que os veículos comerciais da Fiat dão mais problemas do que quaisquer outros. Veja-se que temos motores Euro IV e temos classificações que nos colocam como dos construtores cujos carros necessitam de menor número de manutenções, pelo que estamos totalmente tranquilos nesse aspecto, e estamos apenas a dar conta da importância dos veículos comerciais para a rede, que já percebeu a rentabilidade que os nossos produtos permitem. Os veículos comerciais permitem à rede um negócio com futuro. Por alguma razão, num mercado que caiu 25% nos últimos seis anos, a Fiat Professional cresceu, no mesmo período, 65% em volume, passando de uma quota de 3,4% para 8,4%. Ora, se conseguimos este crescimento, isso significa que temos uma marca com produto, tem uma boa rede de concessionários, e uma estratégia comercial adaptada ao cliente. Não somos uma marca de descontos, e tenho muito orgulho em poder dizer desde o dia 1 de Janeiro de 2003, quando cheguei ao comando da Fiat Professional, nunca fizemos uma campanha a dizer que oferecemos X euros, e isto porque hoje em dia temos notoriedade e temos imagem positiva. Os clientes reconhecem a Fiat, e nomeadamente os produtos da Fiat Professional, como as melhores propostas numa relação preço/qualidade.

– Apesar de ter dito que não queria falar em termos de Grupo, é um facto que o crescimento do Fiat Group Automobiles Portugal em termos gerais, e nomeadamente o crescimento da própria Fiat enquanto marca, mesmo nos ligeiros de passageiros, tudo isso contribui para o bom desempenho da Fiat Professional. Concorda com isso?
Concordo. Aliás, a vantagem de estarmos inseridos num grupo é podermos rentabilizar da melhor forma as vantagens que as marcas podem dar umas às outras, quer o façam em termos de rentabilidade aos concessionários, em termos de imagem global, e isso tem acontecido. No momento mais crítico da Fiat, a Fiat Professional atravessou também um período de crescimento menos evidente, enquanto que agora estamos a tirar o melhor partido do extraordinário crescimento que a Fiat de passageiros está a conseguir, até porque as pessoas têm uma melhor capacidade de verificar que a Fiat, enquanto Grupo, tem produtos que lhe conferem capacidade para ser líder em qualquer segmento, seja nos vários segmentos dos veículos de passageiros, seja no segmento dos comerciais. Temos depois ainda sinergias, em termos de Grupo, com a Iveco, o que nos permite podermos dizer que em Portugal somos o Grupo que se pode gabar de poder dizer que possui a melhor gama de veículos comerciais do distrito em algumas localizações. Com a estratégia de rede que temos vindo a desenvolver, a partir do qual quase toda a rede da Iveco  e, simultaneamente, representante da Fiat Professional, não há no país, pelo menos nas zonas abrangidas pelos concessionários Iveco, um concessionário de veículos comerciais que consiga apresentar uma gama que vai desde os 1750 quilos até às 40 toneladas. Ou seja, nós conseguimos dar ao cliente tudo o que ele precisa. E tudo isto tem permitido o caminho que temos percorrido, e tem sido feito com um trabalho de base que não se limita a ser feito com o objectivo dos resultados imediatos do final do mês, para o final do semestre, ou mesmo para o final do ano. Aqui, encontramos um trabalho de construção, e qualquer pessoa reconhece na Fiat Professional a marca que fez nos últimos anos um trabalho mais sustentado.

Parceria entre a Fiat Professional e a Iveco dará frutos em 2009

– O crescimento de que fala está assente também na parceria com a Iveco de que fala?
A parceria com a Iveco vai certamente dar os seus frutos em 2009. Os concessionários da Iveco estão a desenvolver um trabalho de base de adaptação a uma marca que tem outras características, estão a criar as políticas comerciais à luz de um mercado em que já trabalhavam, e os reflexos muito positivos vão ser verificados em 2009, embora, obviamente, já tenhamos a sensibilidade para nos apercebermos de coisas muito bonitas que estão a ser feitas desde já. Posso dar um exemplo, também com muito orgulho, que pela primeira vez na história recente do mercado português, a Fiat Professional está inserida no mercado de pesados de passageiros, obviamente em parceria com os concessionários da Iveco. Porque é que a Fiat Professional cresce? É porque estamos muito mais próximos do cliente e porque sabemos quais são as necessidades do cliente, para além de que somos muito rápidos. Não é uma questão de preço. Os preços são importantes, mas o cliente quer sentir um interlocutor que saiba o que lhe está a dizer, uma marca que lhe dá coerência, estabilidade, segurança. Estamos a desenvolver serviços ao nível do pós-venda que ninguém tem. Nós temos atendimento prioritário para os nossos clientes – um cliente Fiat Professional que chegue entre as 8h00 e as 8h30 a uma das nossas oficinas, e ainda que estejam dezenas de clientes de veículos de passageiros, ele tem prioridade pois temos consciência de que aquela meia-hora que ele está a perder na oficina lhe custa muito dinheiro. Temos a garantia de que um cliente que nos compra um veículo transformado tem um determinado desconto em mão-de-obra e peças durante um determinado período, e tudo isto coloca-nos na posição em que estamos hoje. Aliás, caso estivessem já alterados alguns padrões de mercado, e principalmente padrões de imagem, nós hoje temos uma excelente posição fruto de um óptimo crescimento sustentado, mas estamos certos que já seríamos líderes de mercado. Assim, é uma questão de tempo.

– Pode-se dizer, em jeito de remate, que a Fiat Professional está a construir o futuro?
Sem dúvida que sim. Já construímos uma parte do futuro, mas estamos efectivamente a olhar em frente. Aliás, na última convenção de concessionários deixámos claro que 2008 foi um ano importante, mas como transição para o futuro, o que demonstra que somos uma marca com os olhos postos no futuro, e com uma estratégia a médio e longo prazo, e as pessoas sentem confiança porque sabem que estamos efectivamente a olhar para o futuro. O presente é importante, mas temos que trabalhar para chegarmos ao futuro com qualidade e robustez.

– Quando, em 2009, fizermos o balanço do que foi 2008 e perspectivarmos o ano seguinte, o que espera poder dizer nessa altura?
Seguramente que em 2009 vamos constatar que continuaremos a crescer. O mercado dirá se esse crescimento será efectivo em termos de vendas ou não, mas será real pelo menos em termos de quota de mercado, também porque conseguimos já uma inércia que nos faz mover no sentido do crescimento. Aliás, ao contrário do que acontecia no passado, o Grupo Fiat, hoje, em toda a Europa, e naturalmente que Portugal não é excepção, tem um dos seus pilares fundamentais na Fiat Professional, e porque assim é, a Fiat Professional enquanto pilar tem que continuar a ser reforçado.

Restará referir que, decorrente desta entrevista, como referimos atrás realizada no passado mês de Setembro e de que agora aqui damos conta, ficou acordada uma presença regular da opinião de José Carreira sobre o mercado, e nomeadamente sobre o mercado de veículos comerciais, para os leitores do LusoMotores.

Nestes textos de opinião, José Carreira deverá emitir a sua opinião, pessoal ou em nome da Fiat Professional, sobre as incidências do mercado, mas também sobre qualquer outro tema a propósito do qual entenda ter opinião e a queira partilhar connosco, num contributo certamente enriquecedor para o LusoMotores e para todos aqueles que nos visitam.





Fonte: LusoMotores, por Jorge Reis





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José Carreira
« Responder #4 em: 09 de Fevereiro, 2009, 17:13:20 »
A tradição já não é o que era…



A tradição diz que “a seguir à tempestade vem a bonança”, mas no mercado de veículos comerciais a seguir à tempestade veio um furacão!  

Normalmente após um ano de retracção vem um ano de expansão. Assim, depois de um ano de 2008 onde o mercado de veículos comerciais se retraiu em 19%, os mais distraídos poderiam esperar melhorias em Janeiro deste ano (até porque o Janeiro de 2008 já tinha sido inferior a 2007 em 20%!), mas isso não aconteceu.

O mês de Janeiro, com 2.368 unidades, reflectiu uma queda de 45,7% face ao mesmo período de 2008. Ou seja, a tradição diz que “a seguir à tempestade vem a bonança”, mas no mercado de veículos comerciais a seguir à tempestade veio um furacão!

A tradição já não é o que era!

E esta afirmação reforça-se quando analisamos em detalhe o mercado. Verifica-se assim que houve uma queda especialmente forte no segmento dos derivados de passageiros, mas que o ranking das marcas, em termos de performance de vendas, se alterou significativamente. O grande destaque vai para duas marcas -- Fiat Professional e Citroen --, que ocuparam o 3º e 1º lugar respectivamente.

A Fiat Professional começa a estar com regularidade nos lugares de topo do ranking e vê recompensada a sua focalização no mercado de comerciais puros (a sua performance é melhor no segmento de comerciais puros que nos derivados de passageiros). Por seu lado a Citroen mostra também a sua força e da sua rede de Concessionários. A Renault, a outra marca que se encontrou no Top 3, começa a ver com alguma frequência ver a sua posição histórica de liderança a ser colocada em causa.

Efectivamente a tradição já não é o que era…

José Carreira
Fiat Professional
(Country Manager)

Fonte: LusoMotores