Autor Tópico: Anatomia Patológica, Citológica E Tanatológica  (Lida 11521 vezes)

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pedrovsky

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Anatomia Patológica, Citológica E Tanatológica
« em: 17 de Novembro, 2008, 11:03:31 »
Como a maior parte das pessoas desconhece por completo esta profissão, eu vou tentar na medida dos possíveis esclarecer todas as vossas dúvidas, questões e dar um pouco a conhecer esta área, assim quando vos perguntarem já não caem no verdadeiro desconhecimento que a maior parte da pessoas revela quando se pergunta se conhece a profissão.

E lembrem-se que a área da saúde é mesmo muito abrangente, não existe só a medicina e a enfermagem!!!

 
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« Responder #1 em: 17 de Novembro, 2008, 11:16:42 »
Pegando na pegunta do pintodealmeida: "Tu estavas a analisar os orgãos a nível de envenenamentos etc, que os Médicos Legais te enviavam?"

Vou então tentar esclarecer para já esta parte.

É assim, existem 2 níveis ou tipos de autópsias: as médico legais que são feitas nos institutos de medicina legal sempre que se suspeita de morte de causa violenta ou de causa natural mas suspeita de ter sido provocada por causa violenta; depois as anatomo-clínicas que são feitas nos hospitais e tem objectivos diferentes da autópsia médico-legal. Nestes casos, o cadáver tem uma causa de morte natural, há um diagnóstico clinico provável ou certo que carece de um melhor esclarecimento durante a autópsia.
A autópsia anatomo-clínica nunca pode ser realizada em casos de morte violenta ou de suspeita de morte violenta.

Respondendo agora mais concretamente à pergunta, como falas de envenenamento, logo tem de ser analisado através de autópsia médico-legal, e aí sim fazem-se todo o tipo de análises, e neste caso vamos ter especial cuidado na análise dos exames toxicológicos onde se pode encontrar então a substância que provocou a morte.

As autópsias não é só abrir e fechar o cadáver, como a maior parte das pessoas pensam, é um processo que pode ser bastante demorado, uma boa autópsia demora em média umas 3h.
 
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« Responder #2 em: 17 de Novembro, 2008, 12:06:15 »
A anatomia patológica é muito polivalente, existem 3 grandes áreas: a citologia que muito resumidamente é o estudo das células, vou-vos dar o exemplo do Papanicolau (que nós chamamos de citologias) que é o exame ginecológico que as mulheres costuma fazer, em que fazemos o rastreio ao microscópio de possíveis doenças, como por exemplo o canco do colo do útero; também se fazem citologias respiratórias, entre outras.
Depois existe outra vertente, a patologia que consiste através de vários processos em analisar tecidos ou órgãos tanto de pessoas vivas como provenientes de autópsias, para se averiguar se a pessoa tem determinada doença ou não, por fim temos a tanatologia, que muito resumidamente é o estudo da morte e é aqui que entram as autópsias.
Atenção que isto está muito resumido de maneira a explicar melhor. Pelo meio existem inúmeros processos e técnicas com nomes complicados que auxiliam o diagnóstico e a terapêutica, por isso é que esta classe profissional pertence aos técnicos de diagnóstico e terapêutica.

Em relação a saídas profissionais: podemos trabalhar em laboratórios de anatomia patológica privados ou públicos (hospitais), laboratórios de medicina veterinária, institutos de medicina legal, laboratórios da polícia científica da polícia judiciária e investigação.

Quando acabei a Licenciatura optei logo por me candidatar ao mestrado na área da genética e biologia molecular, uma vez que é uma área actualmente de grande interesse, e está em completa expansão e desenvolvimento.

Interessa-me no fim do mestrado, começar a trabalhar em investigação ou num laboratório de genética, para fazer diagnósticos pré-natais de possíveis patologias que o feto possa vir a desenvolver (ex: Síndrome de Down), identificação e tipificação de diversas patologias genéticas...
« Última modificação: 17 de Novembro, 2008, 12:12:29 por pedrovsky »
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« Responder #3 em: 17 de Novembro, 2008, 12:34:10 »
O que acabas de explicar para mim tem muito interesse e de facto é uma profissão que a maioria das pessoas não tem a mínima noção do que de facto é ou até da sua própria existência!!

E pelo que nos explicas, deve ser de facto uma área muito complexa e abrangente da medicina.

Eu pessoalmente interesso-me imenso por estes temas e gosto particularmente de ver todas as séries do C.S.I. que passam no canal AXN.

De um modo geral nestas séries acaba por ser quase sempre a vítima a revelar indícios importantes que revelam não só a causa da morte mas também quem foi o assassino!

cumps,
Luís  

 

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« Responder #4 em: 17 de Novembro, 2008, 13:02:47 »
Para mim tambem tem interesse pois gostava de entender a justificação que deu o hospital, sobre o falecimento do m/ pai. Não entendo pois ele tinha uma "coisa" e faleceu "doutra"...

pedrovsky

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« Responder #5 em: 17 de Novembro, 2008, 13:55:16 »
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O que acabas de explicar para mim tem muito interesse e de facto é uma profissão que a maioria das pessoas não tem a mínima noção do que de facto é ou até da sua própria existência!!

E pelo que nos explicas, deve ser de facto uma área muito complexa e abrangente da medicina.

Eu pessoalmente interesso-me imenso por estes temas e gosto particularmente de ver todas as séries do C.S.I. que passam no canal AXN.

De um modo geral nestas séries acaba por ser quase sempre a vítima a revelar indícios importantes que revelam não só a causa da morte mas também quem foi o assassino!

cumps,
Luís
Atenção, nessas séries a maior parte das coisas é mentira, por exemplo os exames que fazem dão a entender às pessoas que se obtêm os resultados em segundos, quando a maior parte das coisas demora horas!!

E nos casos de homicídios, suicídios e etc, a maior parte das vezes os resultados são inconclusivos, não se descobre sempre a causa como se pensa.

Posso aproveitar para contar a primeira falha do "sistema", por exemplo numa cena de crime, os agentes da PSP, GNR entre outros entram à maluca nesses cenários sem tomar as devidas precauções de preservação tanto do cenário como das eventuais provas, acabando por estragar e adulterar determinadas provas essenciais, porque às tantas tudo se torna numa verdadeira salada!

Atenção que nunca trabalhei nesta área (polícia científica), apesar de ser um dos meus sonhos, quem sabe talvez um dia consiga. Nesta parte, o que expliquei consiste em determinadas conversas com professores e colegas desta área e este tema até faz parte dos conteúdos programáticos de algumas cadeiras que tive ao longo da licenciatura.
« Última modificação: 17 de Novembro, 2008, 13:59:36 por pedrovsky »
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« Responder #6 em: 17 de Novembro, 2008, 14:10:05 »
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Para mim tambem tem interesse pois gostava de entender a justificação que deu o hospital, sobre o falecimento do m/ pai. Não entendo pois ele tinha uma "coisa" e faleceu "doutra"...
Pois, isso são outros assuntos que continuam a ser o pão nosso de cada dia, infelizmente todos nós ouvimos demasiadas histórias semelhantes nos noticiários.

Conheço algumas histórias dessas...

Eu não conheço a história disso que dizes, mas sabes porque é que isso acontece muitas das vezes? Infelizmente e ficam já a saber que alguns dos actos médicos são feitos por pessoas que não o são, atenção que não estou a denegrir as pessoas que têm ou não o devido curso, mas a minha opinião sincera é que é impossível aprender num ano ou meses o qeu se aprende em vários anos com aulas práticas e estágios pelo meio.

E dou-vos já um exemplo: as autópsias são feitas em muitos sítios por pessoas que não têm cursos nesta área e muitos com 4ºclasse e etc...que memorizam os processos todos e mais nada e as coisas não são assim tão simples, COMO PODE ESTE PAÍS ANDAR PARA A FRENTE??? NUNCA!!!

Tanto eu como colegas meus, podemos denunciar inúmeros grandes hospitais onde isto acontece, presenciei eu durante os meus estágios, sabem porque é que o estado apoia isto?? Porque em vez de pagar determinado ordenado a uma pessoa qualificada, paga uma ninharia a quem não o é, arrecadando umas massas valentes.

Isto é só uma pequeníssima amostra das inúmeras incongruências em que nós portugueses vivemos.

Deixo-vos aqui um link de um colega e amigo meu que denunciou esta questão, que tal como era de esperar não surtiu efeito e foi totalmente abafada:

http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?artic...visual=26&rss=0

Vejam se nos noticiários falam disto, claro que não, porque há demasiados interesses por trás disto tudo, é melhor falar de multas, de acidentes, de futebol, da construção do novo autódromo e do novo aeroporto, quando se podia investir uma pequena parte desse dinheiro em hospitais novos, mas que se tramem os profissionais de saúde e a saúde deles em detrimento de ajudar a população e a contribuir para a saúde do povo. É melhor ter alguns laboratórios sem condições nenhumas para as pessoas que lá trabalham, com paredes em péssimo estado entre muitas outras deficiências....
« Última modificação: 17 de Novembro, 2008, 14:17:41 por pedrovsky »
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« Responder #7 em: 17 de Novembro, 2008, 14:21:16 »
Atenção que muitas das coisas que falo foram presenciadas por mim, mas não vou referir o meu nome, nem das instituições, nem das pessoas intervenientes, pois já sabem que ía trazer inúmeras injúrias para mim e peço o favor de perceberem, pois infelizmente neste país vivemos de uma democracia disfarçada, quando claramente vivemos numa ditadura, porque sempre que alguém fala no que está mal, é prejudicado...
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« Responder #8 em: 17 de Novembro, 2008, 15:11:06 »
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Atenção que muitas das coisas que falo foram presenciadas por mim, mas não vou referir o meu nome, nem das instituições, nem das pessoas intervenientes, pois já sabem que ía trazer inúmeras injúrias para mim e peço o favor de perceberem, pois infelizmente neste país vivemos de uma democracia disfarçada, quando claramente vivemos numa ditadura, porque sempre que alguém fala no que está mal, é prejudicado...
Pois, porque será que nada do que disseste me surpreende?

O nosso País infelizmente nunca se viu livre da corrupção que vinha já do anterior regime, esteve foi sempre bem dissimulada, mas afinal na prática acabamos por verificar por diversas vezes e de várias formas, que ainda existe e está bem em evidência em muitas instituições, quer públicas quer privadas e com isto fico por aqui, porque tínhamos aqui "pano para mangas"!!!

Cumps,
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« Responder #9 em: 17 de Novembro, 2008, 15:34:18 »
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Quando acabei a Licenciatura optei logo por me candidatar ao mestrado na área da genética e biologia molecular, uma vez que é uma área actualmente de grande interesse, e está em completa expansão e desenvolvimento.

Interessa-me no fim do mestrado, começar a trabalhar em investigação ou num laboratório de genética, para fazer diagnósticos pré-natais de possíveis patologias que o feto possa vir a desenvolver (ex: Síndrome de Down), identificação e tipificação de diversas patologias genéticas...
isso é o que eu mais gosto!Genetica!

o que mais me chamou atençao:
"O sindicalista afirma que "o tratamento do cadáver para uma autópsia não é um trabalho de talhante" e chama a atenção para o facto de esse corpo já ter sido uma pessoa que, por isso, merece respeito.

...Almerindo Rêgo suspeita que a situação seja generalizada em quase todo o país,...
...apenas os médicos, nomeadamente os anatomo-patologistas, estão habilitados para realizarem autópsias, uma vez que estas são um acto médico.
...A falta de formação específica impede, por exemplo, que estas pessoas examinem o corpo de uma forma profissional, o que é um acto fundamental da autópsia, disse a mesma fonte.

Esta técnica adiantou que, além de poderem comprometer o resultado da autópsia, estas pessoas correm riscos, nomeadamente de contrair e transmitir infecções....A mesma opinião tem a chefe de serviço de anatomia patológica de um dos maiores hospitais portugueses, localizados na capital, e que pediu igualmente o anonimato...só os técnicos de anatomia patológica estão preparados para ajudar o médico na realização das autópsias, embora sejam raros os que estão presentes no acto, por razões puramente economicistas, pois existem centenas de técnicos sem emprego e que gostariam de participar nas autópsias...."

Que bonito que esta o nosso pais! :d_cry: miseria! :red:




 
« Última modificação: 17 de Novembro, 2008, 15:49:12 por Catarina Oliveira »

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« Responder #10 em: 17 de Novembro, 2008, 16:32:10 »
Bem isto tudo só vem provar é que vivemos num Pais, em que miseravelmente, nem sequer há condições para se ser defunto e ser tratado de uma forma adequada e qualificada, mesmo depois de morto!  :omg:

Basta ver que, se já se tratam mal os vivos...então os mortos nem se fala!!

Cumps,
Luís

 

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« Responder #11 em: 18 de Novembro, 2008, 00:16:27 »
O meu falecido Pai era médico legal.
Por isso te perguntei se fazias parte das equipas que analisavam os orgãos, pois "ajudei" a fazer algumas e o meu Pai fazia tudo, excepto nas raras vezes em que se deparou com envenenamentos; ai os orgãos susceptíveis de análise eram postos em frascos e enviados para vocês.
Vocês... é uma maneira de dizer, pelos vistos não para ti.

O que posso adiantar mais sobre as autópsias é que devo ter estado em cerca de 50; e só numa é que o Juiz estava presente (e cheio de medo  (lol) ).
Este Juiz era Juiz à menos de 1 ano; pois de resto, e segundo perguntei ao meu Pai; era muito raro um Juiz ir à autópsia.
O ridículo é que o Juiz recebia mais dinheiro do que o médico por cada autópsia.
Quanto à duração; é raro demorar 3 horas; mas também temos que levar em conta que a grande maioria das autópsias são de vítimas de acidentes de viação; e aqui só vi 3 tipos de causa de morte:
-  Craneo (traumatismo, esmagamento, etc).
- Tórax (costelas partem e "esmagam" pulmões e coração, rebentado com aquelas artérias; nomeadamente a aorta).
- Abdómen (normalmente rotura do baço).

- A autópsia começa pela descrição escrita do cadáver, das roupas, etc.
- Depois faz-se a "ficha dentária"
- Só depois se procede à abertura do corpo... reticências para não chocar os impressionáveis. Nesta parte, também se descreve por exemplo o conteúdo do estómago.
- Finalmente pode-se serrar o craneo e analisar o cérebro.

Interessante, por exemplo, é que dividindo o coração em 4 partes, respeitantes às 4 cavidades; pode-se ver claramente por exemplo um enfarte do miocárdio.
...
As autópsias de tiros são as mais "interessantes", pois tem bastante interesse seguir o percurso da(s) bala(s) desde o(s) local(s) de entrada até ao local(s) onde está(estão) alojada(s); descrevendo os danos nos vários sítios por onde passou.
O caso mais curioso que vi foi uma bala de calibre pequeno (6.35) que entrou na barriga e estava já numa das pernas; ou seja, como é uma bala mais fraquinha, rabeou dentro do corpo, batendo no fígado, vários sítios dos intestinos, passou a bacia e foi até à perna.
Quando o tiro é de um calibre maior: 32, 45, zagalote, se não bater na coluna vertebral, normalmente sai do corpo, FURA.

As autópsias mais chatas são dos carbonizados.

As mais fáceis e rápidas são dos bébés; pois aqueles ossos são "cartilagem"; de notar que num adulto; é preciso uma certa força para cortar os ossos e por exemplo, mão muito firme para operar o berbequim rotativo para a cabeça.

Para os mais ignorantes, ressalvo que mete muito menos impressão ver uma autópsia do que se possa pensar, pois desde logo um cadáver não sangra, porque não tem pressão (tensão arterial).
Claro que um corpo cortado aos pedaços (suicídio no comboio por ex.) pode impressionar mais.
Quanto aos bébés; eu próprio pensava ser mais impressionante, mas não é, pois a verdade é que o cadáver de um bébé, até pela cor, parece exactamente uma boneca.

Nota Final: claro que existe uma condição muito importante para uma autópsia não meter impressão: não conhecermos a pessoa morta.
Se se tratar de um corpo podre, o cheiro pode ser muito incomodativo, mas cada vez é mais raro esses corpos podres, até porque entretanto apareceram frigoríficos.
O problema é uma exumação de um cadáver que já esteve enterrado, que se tiver menos de meio ano de cova, é insuportável.
« Última modificação: 18 de Novembro, 2008, 00:18:57 por pintodealmeida »
Vetture Italiane: più di automobili, uno stile di vita!

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« Responder #12 em: 18 de Novembro, 2008, 04:28:09 »
Bem, estou admirado com as coisas que tenho lido por aqui, realmente não fazia ideia nem nunca tinha pensado em certos pormenores das autópsias que se têm esclarecido aqui...
No entanto já fiz algumas, a coelhos, galinhas, porcos e ovelhas, nos porcos até tenho ouvido dizer que "queres ver o teu corpo mata o teu porco", possivelmente será um corpo em que podemos ver mais ou menos como é o nosso, penso eu...
Mas este trabalho não é para qualquer um, requer pessoas com sangue frio como se costuma dizer...

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« Responder #13 em: 18 de Novembro, 2008, 09:49:43 »
Sim realmente esse é o tipo de trabalho para pessoas com "estômago" e muito pouco impressionáveis...não dava para mim, não suporto ver entranhas!

É curioso o caso que o Amigo Pinto de Almeida referiu, de um uma autópsia em que uma bala de calibre 6.35 se foi alojar na perna do falecido. Isto porque na série televisiva CSI, havia precisamente um episódio em que a vítima morria em consequência de um disparo de arma de fogo, e no decorrer da autópsia o médico legista que procedia à mesma, teve grande dificuldade em localizar a bala e só depois de radiografar o corpo é que a conseguiu encontrar.

É que precisamente por se tratar de uma bala de pequeno calibre que a mesma foi literalmente bombeada através da aorta onde deu entrada, até à artéria femoral indo finalmente alojar-se num tornozelo!

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« Responder #14 em: 18 de Novembro, 2008, 10:51:32 »
Estou a gostar de ler as vossas opiniões  :yes:

Em primeiro lugar, eu nunca fiz nem vi autópsias médico-legais ao vivo, mas tenho quase a certeza qeu são muito mais "chocantes" do que as anatomo-clínicas, pois podemos encontrar vítimas carbonizadas, vítimas de suicídio com tiros de caçadeira na face (acreditem que fica totalmente irreconhecível), corpos em putrefacção (tenho colegas com uma vasta experiência nesta área que às vezes ao encontrarem determinados cadáveres em putrefacção não aguentam), vítimas de homicídos, vítimas cortadas na linha do comboio, vítimas de machadadas, etc... Tenho no meu computador uma pasta de inúmeras imagens reais de vários casos a que chamei "A biblioteca dos terrores"  (lol)  

Confesso que o que me faz mais impressão, são cadáveres que permanecem muito tempo na água acelerando os vários processos de putrefacção (saponificação, esqueletização, fase cromática, fase gasosa).

Em relação às autópsias anatomo-clínica, os corpos já se encontram mais limpinhos e confesso que o cheiro de que todos se queixam a mim não me incomoda minimamente, estas autópsias são bastante diferentes, uma vez que se faz sempre o mesmo "ritual", abre-se o corpo, analisa-se o aspecto morfológico dos órgãos, pesam-se, abrem-se todos os órgãos e cavidades, retiram-se amostras para analisar no laboratório de anatomia patológica e fecha-se o cadáver, depois os auxiliares lavam muito bem o corpo, vestem-no e preparam-no para os funerais. (em Portugal ainda não existe a profissão de ciências funerárias como existe por exemplo nos USA, que  a meu ver é bastante interessante, pois fazem a maquilhagem do corpo, injectam determinados corantes e etc de maneira a tornar o cadáver com um aspecto natural).

No início houve duas coisas que me fizeram mais impressão, a abertura da caixa craneana com uma serra eléctrica que automaticamente aspira o pó dos ossos (esquírolas ósseas) do crâneo de maneira a não trazer doenças graves para quem realiza as autópsias, dantes esta abertura era efectuada com um serrote e cabeça desandava para todos os lados  (lol) a outra coisa que me impressionava era quando se retiravam os testículos (acreditem que não é fácil e então para nós homens a ver aquilo  (lol) ) é preciso dar um certo jeito.

As autópsias que se fazem aos fetos até determinada idade, é outra das áreas que adoro, denomina-se de fetopatologia e tal como o nosso amigo pintodealmeida referiu eu também acho mais fácil, desculpem-me a expressão que digo sempre aos meus colegas: " a carne é mais tenrinha", mas é mesmo verdade!

 
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