Venho agradecer as vossas boas-vindas.
Penso que elas estão mais direccionadas ao Montecarlo do que a mim, mas também não fico zangado, pelo contrário, fico é "babado"!

Como verifico que afinal vocês são todos "bons rapazes", fica aqui a história de como este automóvel, me veio parar às mãos, salvo seja.

Encontrava-me a passear no final de uma manhã de Domingo do mês de Setembro de 1982 em Arganil, quando do "nada" vejo surgir um carro vermelho, baixinho (também dá para ser ao contrário) e que num primeiro golpe de vista me parecia um Ferrari. Fixando melhor a vista à medida que se aproximava e o meu ritmo cardíaco acelerava, começo a ver que era pequeno de mais para ser um Ferrari e no meio deste fervilhar de pensamentos, jé ele passava à minha frente, com o condutor a dizer adeus e eu ainda meio confuso, lá consegui ler na traseira, Lancia Montecarlo.
O condutor, era o pai da madrinha de baptismo do meu filho, homem de fino gosto automobilístico, pois entre outros, conheci-lhe desde o Lamborguini Miura, Volvo 164 E, Alfa Romeo 2000 GTV, BMW 635 CSi, Mercedes 350 SLC.
Quando regressei a Coimbra no final desse dia, ainda trazia o raça do carro na cabeça e mal cheguei, se estão a pensar que fui fazer uma pesquisa na Net, tirem daí o sentido, pois na altura era coisa que não existia, fui à procura dele nas revistas que tinha em casa e já cansado de tanto folhear, por fim, lá apareceu. Olhei então de novo para ele, recordando hoje que encontrei algumas diferenças, pois a fotografia era o da 1.ª Série, li as características e ... esqueci o assunto.
Passaram dez anos (1992) quando o voltei a ver, curiosamente aqui em Coimbra, conduzido pela irmã mais nova da minha comadre, jovem recém-encartada e talvez como prémio da sua entrada na Universidade, recordando-me de ter pensado em voz alta "mal empregado"!
Depois ... lá desapareceu mais uma vez da minha mente.
Nove anos depois (2001), deu-me a vontade de arranjar um dois lugares para fazer uns curtos passeios e foi então que me lembrei de novo do Montecarlo e resolvi perguntar por ele. A resposta foi de que sim ainda existia, estava parado na garagem ía para 4 anos, pelo que aproveitei a "boleia" e pedi então à minha comadre se podia perguntar ao pai, se estava interessado em vender o carro.
A resposta tardou, mas foi negativa e lá esqueci o Montecarlo mais uma vez.
No final do ano de 2004, sou surpreendido com a pergunta de
uma vez manifestaste interesse pelo Lancia, ainda manténs esse interesse? Ó com caneco, queres ver que é desta, tendo respondido de imediato que continuava com interesse.
O carro já se encontrava numa oficina, pronto (aldrabado, digo eu) para ir à inspecção (pois a minha comadre pretendia negociar o carro com a inspecção realizada), só que era uma chatice, pois o pára-brisas estava partido e a Fiat/Lancia não conseguia arranjar um!!!
Face a tamanha contrariedade para eles, disse-lhes para passarem as dores de cabeça para mim, pois não me importava de comprar o carro assim (inspecção por realizar e pára-brisas partido), pois o que eu queria era o Montecarlo na minha garagem!
Apesar da minha "boa vontade" ainda tive que sofrer até ao dia 2 de Março de 2005, pois não havia forma de se decidirem, e assim ao fim da tarde desse dia lá o fui buscar para os lados do Carregal do Sal (Viseu) à tal oficina.
Apesar de já ter gasto algum dinheiro (pois foram muitos anos parado), incluindo a abertura do motor (fruto eventualmente também dos maus tratos da jovem que andou com ele), continuo a pensar que tem valido a pena.
No espólio do carro, vinha o Carnet de Garantia, onde consta o levantamento do mesmo no dia 1 de Setembro de 1982 na Fiat Hispânia, S.A. Paseo de la Habana, 74, Madrid, com o nome do proprietário, o Livro de Instruções, um duplicado das chaves, bem como um conjunto de emblemas Lancia e Pininfarina, iguais aos que se encontram no carro.
Como nota final, o antigo proprietário tinha também residência no estrangeiro, o que lhe possibilitava a aquisição dos carros em Espanha e andar com eles em Portugal (com matricula espanhola). De todos os que lhe conheci, foi sempre trocá-los, este foi a excepção, felizmente para mim.
Assim, o carro teve matrícula espanhola até 1996, ano em que resolveu legalizá-lo, ao qual já foi atribuída uma matricula com as letras invertidas. Como sempre entendi que era uma pena não ter as matrículas portuguesas da época (1982), para ser um verdadeiro clássico, vai de abrir os cordões à bolsa e iniciar o processo que culminou com a atribuição da matricula actual.
Um grande abraço para todos,