Autor Tópico: Há prioridade… e… prioridade!  (Lida 2038 vezes)

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Tiffosi

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Há prioridade… e… prioridade!
« em: 02 de Setembro, 2009, 18:50:51 »
Há prioridade… e… prioridade!     



Sabe-se, por experiencia feita, que o facto de ter razão, ou prioridade, não significa ter direito... 

Todo o automobilista sabe o que é a prioridade, a regra da prioridade no trânsito. Está muito bem regulamentada, até mesmo na circulação em torno das rotundas. Só que, a sua observância, é muito, muito mesmo aleatória. Não há dia nenhum em que qualquer rotunda do país não se orgulhe de “ter feito” uns quantos acidentes. Felizmente, como o pessoal vai a velocidade relativamente baixa – tirando alguns chicosespertos mais apressados – os toques ali são razoavelmente inocentes. Mas incómodos. Fazem perder um tempão, implicam a entrada em acção das autoridades, dos justiceiros da estrada, dos simples mirones em busca de tema para fazerem horas para regressarem a casa, normalmente “ali” ao lado.

A questão das prioridades (no trânsito, entenda-se) assume, de facto, aspectos particulares. Por exemplo, quando se está em face da placa triangular de “ceder a prioridade”. De tão evidente a sua significância, há quem “não repare” nela e entra por ali adentro como cachorro em vindima vindimada. E, salve-se quem puder.

Nesta questão de prioridade convém priorizar, convém dar prioridade, sob risco de se ter desagradáveis surpresas. Sabe-se, por experiencia feita, que o facto de ter razão, ou prioridade, não significa ter direito. Nas muitas situações de trânsito a que um automobilista está sujeito, já deu para verificar a bondade do que afirmo: o facto de se ter prioridade, por exemplo, não quer dizer que se possa usufruir dela.

Ocorre-me trazer uma experiência pessoal recente, vivida num país africano onde se fala português, onde as regras de trânsito são as mesmas de todo o mundo mas onde os automobilistas são…diferentes.

Da experiencia feita nessas andanças profissionais pelo mundo, eu tinha para mim que os condutores gregos são indisciplinados, que os portugueses são inconscientes, que os holandeses são uns chatos, que os italianos estão sempre em Grande Prémio, que os mexicanos são imprevisíveis, que os franceses são malcriados e arrogantes, que os ingleses não são coisa nenhuma porque guiam do lado errado da estrada, enfim, que os americanos, coitados, ainda não sabem guiar porque confundem o automóvel com MacDonalds lá do bairro.

Sem pretender puxar dos galões da antiguidade da carta – o que, em princípio, deveria dar-me alguma autoridade na matéria – tenho que dizer que os condutores angolanos são autênticos kamikaze no trânsito. Devem ter horror ao vácuo porque preenchem rapidamente, seja como for, o mais pequeno espaço vazio entre carros, devem ter problemas de paralaxe porque atravessam uma via rápida de três faixas da esquerda para a direita, à frente de toda a gente, para entrarem na próxima rua à direita. Deve ser para se deliciarem com a fumarada dos pneus em travagens aflitas.

Na cidade capital, Luanda, os automobilistas em geral (incluindo os condutores dos grandes camiões com reboques de 20 metros), devem andar sempre atrasados nas suas vidas, tal a velocidade a que circulam.

Para quem não deseje entrar nessa roleta russa do trânsito luandense, a melhor atitude será mesmo a da maior reserva, prudência, paciência e “fairplay”. Não adianta entrar em picardias.

As particularidades de tal trânsito levam, naturalmente, a particulares interpretações das regras da prioridade. Ao chegar-se a um cruzamento em que tenhamos prioridade, o melhor é não reivindicar a força da regra à primeira. É que, a regra da prioridade (pelo menos em Luanda) rege-se por factores bem diversos daqueles que estão escritos no Código da Estrada. Por uma questão de sobrevivência, adoptei, pessoalmente, uma atitude altamente defensiva. Páro e espero. É que as regras de grande parte de condutores luandenses para “não verem” os sinais de dar prioridade baseiam-se nas seguintes evidências: “cheguei primeiro” – não param; “sou mais pesado” – nem levantam o pé; “o meu Hummer tem regras próprias” – abrandam para podermos ver melhor as dezenas de luzinhas acesas a piscar em volta da carroçaria; “sou do bairro” – tu não és de certeza.

Vê-se claramente que o acertado é “parar e esperar”.

Ah! Já me esquecia. Nas rotundas a prioridade só tem uma regra: ir avançando mesmo que se cause um bruto engarrafamento.

Fonte: LusoMotores, por Hélder de Sousa





sousart

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Re:Há prioridade… e… prioridade!
« Responder #1 em: 07 de Setembro, 2009, 10:06:37 »
muito bom este texto  :mellow:

em relação ao transito de Luanda, já ouvi dezenas de histórias de amigos e conhecidos que estiveram lá recentemente e também contam esssas ditas peripécias, aliás, um vizinho meu que foi lá em negócio, a primeira coisa que fez foi arranjar um motorista para circular na cidade de Luanda pois ele nem queria sequer arriscar conduzir nessas circunstancias, pois reza a história que se tiveres por lá um acidente podes ficar em maus lençóis ...  ^_^

naso

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Re:Há prioridade… e… prioridade!
« Responder #2 em: 07 de Setembro, 2009, 22:35:47 »
Também ja ouvi destas histórias, um cunhado meu esteve la umas vezes em trabalho, segundo ele, lá é sempre bom não tentarmos arranjar sarilhos, se alguém asneirar perto de nós, é mais seguro nem dizer nada, isto se queremos continuar de boa saúde...


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